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Este blog não tem propósito de indicar tratamentos para substituir cuidados médicos e medicamentos.Em caso de doença procure um médico e faça o tratamento corretamente.As dicas aqui descritas servem como terapia complementar e preventiva.




sexta-feira, 29 de abril de 2011

Perda de memória em idosos pode ser combatida


Fonte: Diário de Notícias Online

O declínio de memória nos idosos pode ser revertido. Um estudo realizado num centro de dia mostra que, quando submetidos a exercícios de estimulação cognitiva, os mais velhos conseguem melhorar o seu desempenho. A falta de uso mental é a grande responsável pelos défices da população idosa, contudo, esta é uma área a descoberto: faltam programas dirigidos para a «ginástica» mental e a preocupação da comunidade em geral está ainda mais vocacionada para o exercício físico ou actividades lúdicas.

Realizado no Porto, por Maria José Peneda (no âmbito de um mestrado orientado por Constança Paul, directora da Unidade de Investigação e Formação em Adultos e Idosos - Unifai), o estudo de treino da memória envolveu pessoas com idades entre os 65 e os 84 anos, divididas em dois grupos de características semelhantes. No conjunto de idosos submetido a sessões de estimulação cognitiva, a partir de um computador, a investigadora registou melhores resultados. E assim, defende ser «vital a estimulação nos mais velhos para o uso das capacidades e competências cognitivas no caminho da autonomia e da velhice com sucesso». Uma medida que «contraria o declínio das mesmas, por falta de uso».

Contudo, a estimulação cognitiva não precisa de ser feita no âmbito de programas específicos de objectivo terapêutico. Nem deve. A ideia, explica Constança Paul, deve ser «integrá-la no dia-a-dia de uma forma que faça sentido, simpática e divertida». O problema da velhice não é, muitas vezes, a doença, mas a falta de uso, determina o conceito de «envelhecimento activo» da Organização Mundial de Saúde. Porque se determinadas capacidades não são exercitadas, vão ser inevitavelmente perdidas.

Constança Paul assinala a inexistência de programas no terreno para manter activos os idosos do ponto de vista mental e cognitivo. «Há mais preocupação com a actividade física e a estritamente lúdica, ainda que nenhuma destas vertentes seja trabalhada o suficiente. Há poucas actividades significativas. E o objectivo deveria ser acções integradas», defende, afirmando ainda que «deveria ser dada prioridade à visão e audição, o que não está acautelado.»

Também Nelson Lima, do Instituto da Inteligência, adianta que «a sociedade cultiva a imagem do corpo e falta um neurofitness, para nos tornamos mais ágeis». A alimentação cuidada que serve o culto do físico também ajuda, afirma este psicólogo, e é preciso «mais cuidados com o sono, porque a nossa sociedade não dorme o suficiente». O problema, diz, «é que os médicos sugerem sobretudo actividade física e não estão sensibilizados para a importância do exercício mental».

A actividade é vantajosa, diz a directora da Unifai, também em quadros demenciais como na doença de Alzheimer, para retardar o declínio. Celso Pontes, director de neurologia do Hospital S. João, confirma: «A ginástica mental melhora a vivência do doente e há vários patamares de neuroestimulação, como fazer uma agenda e programar o presente.»

Por outro lado, a institucionalização em lares só deve ser aplicada a idosos que precisam de cuidados diários e estes só podem ser ministrados em função das necessidades. Num estudo mais antigo, Constança Paul assinalou uma perda significativa de competências nas pessoas institucionalizadas, quando comparadas com idosos inseridos nas comunidades. «Temos aí um declínio induzido pelo ambiente. Num lar, nada promove a autonomia», explica.

Em Portugal, estima, haverá perto de 70 mil idosos institucionalizados. Mas há 1,7 milhões de pessoas com mais de 65 anos, o que significa que a grande maioria «anda na sua vida, a lutar com a reforma, para saber se tem dinheiro para comprar o pão», diz Constança Paul. Há, contudo, um problema sério com a população idosa portuguesa: uma parte muito significativa é analfabeta ou iliterata. O que limita o âmbito de intervenção em áreas de treino mental.

Mas «a estimulação cognitiva é absolutamente essencial e há muito a fazer», defende a investigadora. Por isso, diz, «seria prioritária uma intervenção neste campo. E quanto mais cedo, melhor.» Em causa está a autonomia do idoso. Por isso, é importante que as famílias «preservem a sua participação nas decisões».

Elsa Costa e Silva Hernâni Pereira

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