Importante!

Este blog não tem propósito de indicar tratamentos para substituir cuidados médicos e medicamentos.Em caso de doença procure um médico e faça o tratamento corretamente.As dicas aqui descritas servem como terapia complementar e preventiva.




terça-feira, 28 de junho de 2011

Dançar ...



Fiquei em pé olhando pelo vidrinho da porta a minha filha de 6 anos fazer sua primeira provinha de ballet.Lembrei tanto de mim, deu muita saudade...
Ela estava uma gracinha, formosa que só fazendo seus pliês, relevês e etc.
Essa fase é muito especial.

Cordão umbilical



Lembrei dos meus filhotes ao ver esse singelo video.Adorei!!
Mesmo que cortem esse cordão físico, sempre haverá um imaginário, né?
Linda essa relação entre filhos e mães.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Significado dos Vínculos e Encontros



Se não reconhecemos o paraíso em que nos encontramos, aí adentram outras forças. Assim é se não temos uma relação adequada com o social, se não nos damos conta de que pertencemos a um grupo, que temos uma responsabilidade com o social, de realizar um trabalho, de querer o bem, de que o meu bem também seja adequado com o bem de todos, se não realizo atos que irão afetar o bem geral e a tranqüilidade geral.

Se não nos preocupamos com o social, uma série de forças negativas penetram dentro da alma, principalmente não cuidando e não nos responsabilizando pelos afetos e emoções que temos com as pessoas. No momento em que sentimos algo por uma pessoa e perdemos a noção de que isso é um desafio, a coisa enrosca.

Quando nós não nos damos conta de que é esse medo que é o desafio na relação, é essa dúvida que é o desafio. Se não percebemos isso, responsabilizamos o outro, brigamos com o outro em função daquilo que estamos sentindo e tudo se enrosca e entra uma série de forças muito negativas que fazem com que aquele encontro que foi marcado não leve a nada. Fica simplesmente dois seres que não conseguem se desgrudar, que ficam unidos por muito ódio ou por qualquer outra coisa e que na realidade não conseguem fazer uma relação construtiva.

A idéia hoje não é falar de todos os tipos de relações complicadas que podem surgir em função disto, mas sim se perguntar como podemos fazer para desenvolver as forças com as quais aproveitamos esses encontros, e fazermos uma relação diferente, mais espiritualizada aqui na terra. Rudolf Steiner fala que tem várias maneiras dos encontros tornarem-se muito destrutivos. A fofoca não precisa ser no ouvido do outro, ela pode ser interior. Se fofocamos muito é sinal de que não estamos assumindo nosso processo, ou seja, é a dificuldade de estarmos assumindo nosso próprio processo. É algo que a psicologia hoje em dia se dá conta, ou seja, quando colocamos toda essa briga para fora é que não estamos sabendo assumir a briga interna. Todos os desencontros na terra provêm da dificuldade de aceitarmos a luta interior. Cada encontro, ao mesmo tempo em que promove as possibilidades de construção, por ser um desafio interno, é um processo de luta interior.

Para podermos nos relacionar com o outro temos que pelejar muito interiormente, e apesar da tormenta, conseguir construir uma relação pacífica e estável. Porque a tendência das emoções é desestabilizar tudo, vem para agitar (movimentar) e nós no meio das ondas temos que aprender a surfar. Se você quer observar o seu desenvolvimento espiritual ou o desenvolvimento do espírito do outro, não pergunte o que ele estudou, quantas faculdades fez, quantos livros ou filósofos leu, olha como ele se relaciona. É na relação afetiva que somos testados todos os dias para provar se afinal de contas estamos dispostos a nos doar, a nos responsabilizar, a nos comprometer, a sermos honestos, humildes, etc. Porque sabemos como é tentador dizer aquela mentirinha e vamos mentindo, enrolando, é uma tentação constante para toda nossa honra, nossa humildade. É importante descobrir os vínculos afetivos, compreender como estão, porque eles dão uma percepção imediata de como está o desenvolvimento espiritual de cada ser.

A espiritualidade é observada na relação afetiva que as pessoas constroem, e a briga que é jogada para fora, é uma dificuldade nossa de resolver uma confusão interna. Ou seja, devemos nos habituar a que o encontro com o outro provoca interiormente atritos e que, ou os resolvemos interiormente, ou nunca os resolveremos fora. Ou assumimos essa briga interior, esses desconfortos que ocorrem internamente ou não vamos poder fazer o encontro acontecer fora.

Outra série de maneiras das relações se tornarem destrutivas são as descritas por Freud. Todas as formas sadomasoquistas de relação, onde ela não é de igual para igual, existe uma relação de poder, de vampirismo. Ou seja, tem toda uma série de formas complicadíssimas de relacionamentos que podem surgir de encontros belíssimos, mas não é pelo fato da situação ter caído nisso que tenha que ser descartada, tem que ser é higienizada. De que maneira posso transformar isso que se tornou um enrosco, uma situação complicada, em algo construtivo e que possa unir dois espíritos?

A idéia da antroposofia não é ficar aprofundando nesse enrosco para tentar entender, mas se dar conta de que o mesmo ocorre na hora em que as duas individualidades não se dão conta de que ambas têm um desafio no meio. É impossível acontecer um vínculo se os dois lados não tomam a decisão; vínculo não se constrói de um lado só. O processo da construção de um vínculo depende da percepção bilateral do desafio que significam aquelas emoções que surgem quando duas pessoas se encontram na vida e têm alguma coisa para resolver. Se não se dão essas condições, realmente fica impossível construir um vínculo e o que vai acontecer é que forças negativas vão penetrar dentro desse processo e em lugar de se tornar algo libertador, construtivo, torna-se algo destrutivo e aprisionador que estamos acostumados a perceber todos os dias (esse tipo de desencontro).

Os encontros acontecem em qualquer idade e tudo que podemos fazer para transformarmos todos esses conteúdos emocionais que surgem do encontro cármico numa relação construtiva está relacionado com o senso de responsabilidade. Ou seja, nos darmos conta de que somos responsáveis pela possibilidade de fluxo e de troca com determinada pessoa. Tudo aquilo que aumenta a responsabilidade pode ajudar para que possamos levar a relação de uma forma mais construtiva. Uma coisa que ajuda a assumir a responsabilidade é aceitar que fomos nós que plantamos isso. Essa teoria da reencarnação ajuda no processo de nos tornarmos responsáveis na medida em que aceitamos que estamos colhendo algo que plantamos e que isso não é gratuito. Ou seja, a pessoa está evidenciando algo, um sentimento que era genuinamente meu e que antes de encarnar eu plantei lá. Temos sempre que nos perguntar se aquilo que o outro sente tem relação comigo. Fui eu que plantei? O que você sente nessa relação comigo? O que provoca minha maneira de falar, minha maneira de ser? É uma maneira de percebermos que o auto conhecimento não é só um mergulho, mas que é também perguntar o que tem nos pedacinhos dos outros, ir novamente devolvendo os pedacinhos e recolhendo os próprios.

Encontramos pessoas às vezes na infância, às vezes na velhice, os encontros têm um valor que não está relacionado com o tempo. Tem encontros fugazes (duram semanas) e que marcam a vida com muita profundidade. Tem pessoas que estão na nossa vida durante 10 anos que não marcam absolutamente nada, ou seja, depende do quanto nós trocamos com as pessoas, vai depender do quanto vamos ativar na vida.

Uma forma de encontrar este processo de responsabilidade é fazer um levantamento de todas as pessoas que encontramos na vida, todas . Passar a fazer esse processo ritualístico de levantar uma lista enorme das pessoas que encontramos (desde pais, babas, empregados, vendedor de frutas na esquina, jornaleiro, professora, o porteiro da escola, etc). Com esse processo vamos nos dando conta do quanto recebemos, como foi importante aquela professora, aquele amigo que jogava bola, como foi importante aquela pessoa que eu gostaria de apagar, esquecer. Percebemos então, como tudo isso é atuante, geralmente tendemos a fazer uma estória muito do EU e pouco das pessoas e quando fazemos um levantamento, sem ficar só na relação mãe, pai, irmãos, vamos percebendo um monte de pessoas que encontramos na vida e o quanto elas foram importantes. Um, te ensinou sobre humildade, outro te falou sobre a raiva, outro te mostrou a importância do respeito, ou a importância da generosidade na vida, etc. Afinal de contas o que são nossos pais nesta história toda, nesta relação complexa e necessária e que depois vai para todas as mesas de análise e consultórios ?

Segundo Steiner, os nossos pais nesta vida, irmãos e núcleos familiares, eram nossos melhores amigos na vida anterior. Os amigos que tínhamos no meio da vida, por volta dos 30, 35 anos (entre os 30 e 40). Essas pessoas que, por tanto gostarmos e termos uma relação forte, continuamos junto e vamos nascer numa próxima vida juntos. Diz que tem uma lei no mundo espiritual que diz que o que é invisível numa vida vai ser visível na próxima. Nós não vemos o amor e não vemos o amor existindo entre duas pessoas e esse processo de amor entre duas pessoas numa vida é o que vai fazer com que os rostos se pareçam. A semelhança física numa vida é o tanto que se amou na vida anterior. Essa semelhança do rosto, de postura, de movimento, é o tanto de amor que tinha na vida anterior. Mas como as relações afetivas são complicadas não resolvemos numa vida e temos que resolver na outra.

O senso de responsabilidade de resolvermos as relações familiares é muito mais amplo do que a visão colocada pela psicanálise, de que se não resolvemos a relação afetiva do núcleo familiar, vamos ter problemas para frente.Você já amou, já teve uma relação profunda com essas pessoas, optou se encontrar com elas e mesmo assim conseguiu fazer um belo de um enrosco. Se você não conseguiu terminar bem nem com o que já começou, vai ser difícil você começar outra coisa. Devemos ter um senso de responsabilidade com nossos pais e nos darmos conta de que na realidade fomos nós que plantamos essa necessidade, nascer até parecido pelo tanto que nos amamos na vida anterior. Esse tipo de relação também só pode ser resolvido se houver uma decisão dos dois lados. Se nos relacionamos com uma pessoa e queremos solucionar algo e a outra pessoa não está querendo, podendo ,ou não está nem percebendo, vamos ficar com um buraco (um rombo).

Gerardo A.Blanco

Publicado em: Encontros Cap IVon 29/05/2009 at 7:30 p05 Deixe um comentário


O Significado dos Vínculos e Encontros
Cap III

Esse é um grande desafio,o de conseguirmos lidar com esses sentimentos que a pessoa provoca na gente (de dependência, de ira, de simpatia, antipatia, etc.)

Desde o momento em que consideramos que dentro da nossa vida psíquica tem também uma dimensão espiritual, mesmo que não sejamos conscientes do tamanho dela, isso muda totalmente a visão que temos a respeito de nossos conteúdos psicológicos.

É totalmente diferente dizer “eu sou uma pessoa cheia de paixões e medos” ou dizer “eu tenho uma alma, eu levo comigo uma alma cheia de paixões e medos, com os quais eu tenho que lidar”. Uma coisa é dizer “eu sou minhas paixões, meus instintos e minhas emoções”, e outra coisa é dizer “eu sou um ser que observa as paixões objetivamente de fora e que carrega isso e quando eu tenho que me encontrar com uma determinada pessoa, eu carrego isso comigo e essa é a minha dificuldade”.

A outra pessoa carrega a outra dificuldade.

Ou seja, uma relação muda totalmente de cor, se nos damos conta de que essas forças que surgem é o desafio que essa relação tem que enfrentar. Ex: numa determinada relação tem que enfrentar que cada vez que uma pessoa abre a boca o outro se sente ameaçado e a pessoa não está de fato fazendo nada para ameaçar. Ex: “Vamos ao supermercado?” “O que você está querendo dizer com isso?”

A presença da outra pessoa já faz sentir um tom de ameaça (sentimento) e isso foi planejado, e depois temos que suar como um louco para perceber. “Eu me sinto ameaçado, mas não estou sendo ameaçado e apesar do sentimento de ameaçado eu não vou agir como se eu fosse ameaçado”.

É uma questão de nos tornarmos conscientes e na química dos encontros cada pessoa provoca um tipo de sensação diferente. Ou seja, a dimensão espiritual nos traz um senso de responsabilidade diferente e é interessante perceber no momento em que ocorrem os encontros quando eles têm uma relação cármica forte (bastante emoção). Isto significa que em cada relação que temos com as pessoas, as dificuldades que temos que superar são específicas (mãe, pai, filho, irmão, etc.). Com mãe é uma, com marido é outra, etc; ou seja, em cada caso tem uma situação.

A maneira como é entendido o carma na antroposofia é assim: você vai encontrar pessoas e é inevitável que você sinta certas coisas, isso é o carma. Ou seja, eu encontro uma pessoa e essa pessoa me amedronta, isso é o carma. A liberdade está no que eu faço com isso. O fato de ter medo, não significa que tenho que fugir,é como eu respondo a esse sentimento que esse encontro me provoca. Isso é totalmente diferente de simplesmente reagir em função dos impulsos que sentimos quando encontramos outras pessoas.

Steiner diz que, no carma não está “escrito” nada do que devemos fazer com o outro, não está determinado se devemos namorar, casar, etc. O que está no carma é o que vamos sentir: encontrou = sentiu. Se vai casar, morar junto, se ver 2 vezes por mês, não encontrar, isso é problema seu.

No carma não está escrito. Mas o que não podemos evitar é que perante essa pessoa tenhamos uma determinada sensação.

Deveríamos prestar atenção justamente naquelas pessoas que gostaríamos de apagar com borracha, porque é ali que estão as maiores dificuldades para vencermos na vida. São desafios grandes especialmente pela falta de preparo afetivo que temos na nossa cultura.

Não sabemos lidar com esse tipo de conteúdo e geralmente encontros muito importantes, colocamos em nossa vida em páginas que quando voltamos a folhear, pulamos e não queremos voltar nela porque, na realidade, é insuportável lembrar. Talvez esteja por trás desses encontros o que mais precisássemos ter aprendido.

É justamente por ser difícil que devemos prestar atenção.

Aqueles que rolam soltos, fluem, que conseguimos resolver, estão resolvidos, o problema é tentar se relacionar com esses tipos de encontros nos quais a relação não é fluida, é complicada e exige muito da gente.

Carma é o inevitável do que sentimos, não conseguimos evitar certos sentimentos com certas pessoas, ou de muita simpatia ou muita raiva, isso é inevitável.

Mas, o fato de ter raiva não significa que tenha que agredir o outro, essa é uma possibilidade (mais cômoda). Posso sentir raiva, estar consciente disto, perceber a inoperância que esse sentimento tem e me comportar de acordo com o que eu quero construir, com o que estou sentindo.

Isso já é começar o processo da construção de um vínculo.

Depois que acontece um encontro e temos uma relação afetiva, emocional, mobilizante, forte com uma pessoa, se não conseguimos um processo de construção de uma relação conscientemente conquistada através dessas emoções que surgem, muitas forças negativas podem penetrar na relação. A falta de poder resolver uma determinada situação, não somente traz o problema daquilo que não conseguiu resolver com a pessoa, mas tem uma série de forças espirituais no ambiente que também começam a penetrar e além da coisa ficar enroscada, ela fica destrutiva.

Já esse processo de destrutibilidade é a possibilidade que damos para a entrada de forças negativas para o desenvolvimento humano.

Dos sentimentos que temos, nem todos são nossos, não devemos nos apossar e nos responsabilizar por tudo que sentimos interiormente. Parte do processo de auto-conhecimento significa perceber o que é meu e o que não é meu.

Quem faz análise ou trabalha como terapeuta sabe como é difícil, dentro de um processo de vida anímica, uma pessoa descobrir o que é seu e o que não é seu. Se uma relação está complicada e enroscada é muito mais difícil perceber o que é meu. O processo de conhecimento interior nos mostra que nem tudo que sentimos é nosso. Tem muitas questões que sentimos em função do meio social em que nos encontramos, então, quando vamos encarnar, não encontramos somente com pessoas específicas, mas com seres espirituais que estão governando uma população inteira. Então, muitos sentimentos que temos são pertencentes ao grupo e que carregamos dentro de nós.

Um brasileiro tende a sentir diferente de um paraguaio ou um francês.

Quando por exemplo falamos com um italiano, ele tem um monte de sentimentos interiores por ser italiano, e não por ser ele. Então, tem uma série de sentimentos dentro da nossa alma que pertencem ao âmbito social.

Tem uma série de sentimentos que correspondem ao âmbito espiritual.

Nesse processo de encarnação e vida na terra, muitos seres espirituais influenciam nossa vida (anjo da guarda, arcanjos, arqueus, etc) e vão ajudando no processo de construção e semeando dentro de nós uma série de sentimentos.

Então, muitos sentimentos que temos não pertencem à nossa alma, mas sim, à nossa época. Por ex: nesta era atual tem um arcanjo que é São Miguel que está encarregado de fazer essa nova era surgir. Sentimentos dentro de nós, como o sentimento da nova era “Sinto que tenho que mudar: a relação com a matéria, com as pessoas, com a medicina, com a psicologia, etc”.

E sinto isso como algo muito íntimo e quando vou falar com uma outra pessoa ela também sente a mesma coisa. Então, na realidade não é um sentimento que é meu, mas manifesta-se através de mim a necessidade de um ser que está tentando mudar algo. É essa a maneira como o mundo espiritual penetra nos humanos, provocando esses sentimentos e fazendo surgir novas eras, novas descobertas.

Tem ainda uma terceira espécie que seriam os afetos dos encontros, ou seja, os sentimentos que nossos amigos, nossa família plantam em nós antes de encarnarmos e depois descobrimos interiormente e que na realidade é um sentimento que foi plantado pelo outro, que reconhecemos interiormente, mas nossa missão na vida é devolver (“olha, isso estou percebendo que é seu”). Perceber que esse sentimento não é meu e só surge quando encontro com você, você provoca esse sentimento em mim, isso é uma coisa sua.

Eu te devolvo e te torno consciente.

Tem ainda uma última área, relacionada com a individualidade, aquilo que é realmente original, único, meu. Aquele processo todo que me leva como uma vocação a descobrir aquilo que vou fazer na vida. São os meus sentimentos originais e genuinamente meus. Então, o processo do auto-conhecimento é muito complicado, porque precisamos estar sempre discriminando o que é realmente meu e o que não é.

Qual sentimento vai me levar a descobrir o meu destino ? Eu estou querendo fazer isso por uma necessidade pessoal ou é uma necessidade cultural que está me obrigando a fazer o que eu não quero fazer? Passamos anos para diferenciar se é o social que está me obrigando ou se sou eu que estou querendo. Esse processo não é nada simples. Isso tem uma importância especial, porque em qualquer uma das circunstâncias em que abandonamos qualquer um desses aspectos, a tendência é que os encontros virem ganchos, enroscos, relações muito destrutivas.

Por exemplo: abandonar o seu próprio processo e deixar de ser você mesmo. Se você quer realmente garantir que daqui para frente as relações não vão funcionar, não seja você mesmo. Não assuma, não tenha coragem de ser você mesmo, não assuma sua vocação, sua responsabilidade, não se responsabilize pelos seus sentimentos.

Outra maneira é quando perdemos contato com o espiritual, a falta de reconhecimento, de gratidão pelo corpo que temos, pela natureza, etc, a falta de reconhecimento de tudo isso como algo sagrado, espiritual, se vamos perdendo contato com isso e vamos vendo nisso somente matéria, aí também outras forças podem penetrar.

Steiner fala que no mundo espiritual, ao qual pertence nossa alma, não pode ter vazio e quando algo não é preenchido de sua correta forma, sempre vai ter uma outra força para entrar.

Gerardo A. Blanco

Publicado em: Encontros Cap IIIUncategorizedon 20/05/2009 at 7:30 p05 Deixe um comentário


O Significado dos Vínculos e Encontros
Cap II

Muitos pedacinhos da nossa alma nós deixamos na alma de uma outra pessoa para quando encontrar aqui na terra essa pessoa devolver esse pedacinho para a gente.

Então, o processo de marcar os encontros para uma próxima vida é um processo no qual trocamos “pedacinhos de alma”. É um processo de doação no qual semeamos algo no outro. E o que semeamos no outro? Diz Steiner que o que semeamos no outro é o que esta pessoa vai sentir por nós depois quando estivermos encarnados.

Nós semeamos sentimentos das mais variadas espécies: de muita simpatia, de muita antipatia, de raiva, de dúvida, etc e deixamos isso na alma de outras pessoas e no momento em que encontramos essa pessoa na terra, vai ser ativado esse sentimento.

Quando duas pessoas que, tendo feito esse tipo de troca, se encontram aqui na terra, acontece algo diferente. Tem algumas características que peculiarizam na vida o encontro de pessoas que fizeram essa troca. É importante nos darmos conta de que, quando nascemos, quando vemos uma pessoa e sentimos algo, que isto é algo que esta pessoa plantou antes de nascermos. E aquilo que estamos provocando na pessoa e a pessoa relata sentir, é um pedacinho que deixamos semeados lá. Isto é importante, porque na nossa alma nós somos incompletos e quando nascemos deixamos um monte de retalhos divididos no mundo. E a passagem pela vida e os encontros que ocorrem na terra é um processo da gente voltar novamente a recolher todos os pedacinhos que deixamos plantados nas outras pessoas. Mas tem um mistério aí, esse pedacinho não pode ser pedido, tem que ser recebido de livre e espontânea vontade da outra pessoa. Não adianta ficar de joelhos, nem pedir por favor me devolve o que eu te dei! Diz Steiner que isso é um voto de confiança que damos ao outro.

Por exemplo: vou deixar esse pedaço com você e na próxima vida com seu esforço e seu trabalho você vai me devolver isso, e se a pessoa não quiser devolver, ficamos sem.

Esse processo é tão importante que quando encontramos com uma pessoa e não conseguimos construir um vínculo criativo e construtivo, o buraco que fica na alma é capaz de provocar doenças. É um absurdo tentarmos ser saudáveis apenas fazendo um processo de desenvolvimento interior. Podemos comer toda dieta integral e naturalista, podemos fazer todos os alongamentos, tai chi, todas as técnicas corporais, mas se não conseguimos relações afetivas saudáveis no mundo, vamos adoecer simplesmente porque um pedaço nosso não foi trabalhado. O processo dos encontros é levado até o plano da saúde, na medida em que,se outros pedaços da nossa alma não são ativados ,podemos simplesmente vir a ter uma doença.

Então, acontece de encontrarmos aqui na terra com uma pessoa com a qual fizemos uma troca, e aí, surge a pergunta: Como vamos reconhecer?

Como vamos saber que é um processo de encontro que marcamos com uma pessoa antes de chegar?

Steiner fala que tem várias maneiras de se reconhecer, só que não tem uma regra para isso porque o processo é muito complexo.

Uma coisa que caracteriza o processo de um encontro cármico, que tem uma origem no passado, é quando uma pessoa encontra outra, sente algo e quando vai descrever para o outro diz: “Acabei de conhecer uma garota que você nem imagina, é incrível, é fantástica, tem uma doçura, uma sensibilidade, etc.”

E a outra pessoa não conseguiu ver nada daquilo nesta garota.

Então, uma das características é que outras pessoas que não estão no enrosco, não vêem nada do que a pessoa vê. É uma possibilidade que temos de , de repente, penetrar no outro e perceber conteúdos da sua alma e o que estamos percebendo no outro não é projeção, é realmente a possibilidade de se dar conta de um conteúdo que o outro tem. É como se o encontro cármico fosse um raio X e conseguimos penetrar na alma do outro e pegar algo que ninguém vê.

Se você conhece uma pessoa e a descrição que você faz todo mundo concorda (é médico, oftalmo, simpático, etc.) provavelmente esse encontro não é cármico.

Agora se a sua descrição é assim, que fulano antipático, grosseiro, e as outras pessoas não o percebem assim, (olha não é assim, ele não é grosseiro) é sinal de que essa pessoa semeou em você algo que não semeou no outro.

Então, você é que está acordando para esse sentimento, que ele plantou dentro de você, ou seja, essa é uma maneira de perceber quando o encontro é cármico.

A descrição da pessoa é muito subjetiva.

Isso é muito importante, porque essa descrição subjetiva atrapalha muito nossa visão do outro e é justamente através dessa subjetividade que somos impulsionados a nos relacionar com as outras pessoas e isso pode ser a base de algo muito construtivo ou também, a base de algo muito destrutivo, no momento que essa emocionalidade que ninguém está percebendo começa a se enroscar uma na outra e a relação começa a se tornar complicada.

Steiner diz que uma segunda forma de saber se o encontro é cármico, quando o encontro é marcado, é quando a pessoa rapidamente entra nos nossos sonhos. Conhecer uma pessoa e sonhar no mesmo dia, provavelmente é um encontro cármico. E com certeza o encontro é cármico se sonhamos antes de conhecer a pessoa.

Se sonharmos depois, ainda temos a possibilidade de confundir, mas quando sonhamos antes de conhecer, esse encontro realmente é um encontro de destino.

Mas as maneiras de reconhecermos se um encontro é cármico ainda não está explicado com essas questões, pois existem outras questões que envolvem também os encontros entre as pessoas.

A maneira de reconhecermos se um encontro é cármico é através do desenvolvimento da sensibilidade e não da inteligência. É um processo sensível e na medida em que vamos desenvolvendo a nossa sensibilidade para a construção de vínculos fortes no mundo, vamos nos dar conta de como são importantes esses encontros que acontecem aqui na terra. Ou seja, o sentimento que permite reconhecer é o sentimento de responsabilidade perante o encontro, onde passamos a nos dar conta, pela necessidade de construir um vínculo com uma pessoa, como é importante esse sentimento, como é importante esse encontro, como é importante essa pessoa ter aparecido na nossa vida, como é forte esse sentimento e como é necessário trabalharmos com esse sentimento para podermos construir algo. Então, se não estamos atentos para a importância dos encontros, não vamos nos dar conta nunca na realidade, de que é um encontro cármico. Se achamos que as pessoas são descartáveis e usáveis nunca vamos ter essa noção.

Diz Steiner que, essa é a força propulsora para os encontros na terra, só que, por uma série de dificuldades, nem todo mundo se dá conta.

O ideal nos encontros na terra é que as duas pessoas sintam e que as duas se responsabilizem pela relação (2,3,4 ou mais pessoas). Mas o que acontece na realidade num encontro cármico é um despertar de sentimento que não podemos evitar, ou seja, são emoções que surgem do encontro e que é esse o conteúdo do carma que precisamos resolver e trabalhar com essa pessoa especificamente.

Muitas vezes duas pessoas se encontram, passam 30 anos juntos, trabalham na mesma firma e não se dão conta. Isso depende muito da sensibilidade que a pessoa tem. Steiner falava que era muito comum na época dele dois homens se encontrarem e pela dificuldade de um homem encontrar outro e dizer: “Nossa… como você mexe comigo!” e pelo machismo e por toda dificuldade em considerar que entre dois homens possa ter uma ligação afetiva forte, muitos encontros entre homens se perdiam pela dificuldade de trabalhar essas dificuldades afetivas e também, pela dificuldade que os homens têm em lidar com o afeto.

Uma possibilidade, que é a pior de todas, é passarmos pela vida, passarmos anos com uma pessoa próxima, e não nos darmos conta de que tínhamos uma relação para resolver com essa pessoa. É a pior porque se perde tudo que foi marcado antes de nascer. Esse tipo de situação é que propicia doenças indolores.

A pessoa vem na terra, marca um encontro, o espírito no fundo está sofrendo por um encontro que não se realizou, a consciência não está percebendo o sofrimento e vai criando doenças crônicas. Muitas doenças, especificamente o câncer, é por essa dificuldade que temos de nos dar conta de que estamos nos encontrando aqui na terra com pessoas pelas quais temos uma ligação muito profunda.

Esta é a pior situação.

Outra que é muito doída também, mas já é uma dor mais consciente para um dos lados e inconsciente para o outro, é quando duas pessoas se encontram e uma se dá conta e a outra não percebe nada. É uma situação provável e muito freqüente, onde uma pessoa tem mais facilidade de contato com sua vida afetiva, reconhece que aquela relação está mobilizando uma série de coisas que são importantes e para a outra pessoa esse encontro não tem significado nenhum.

Todos nós temos experiências desse tipo de encontro.

Outra possibilidade é: as pessoas se encontram, vem todo um monte de emoções à tona e isso não tem nada com o carma, mas sim com projeções e problemas pessoais que jogamos nos outros. Nesse caso, não estamos resgatando nada, mas criando um pepino que teremos que resolver na outra vida. Ou seja, podemos encontrar com uma pessoa e por uma questão não resolvida em nós, jogamos uma antipatia e dizemos “você é responsável porque plantou antipatia”. Steiner fala que a pessoa não tem nada com isso, a antipatia é nossa, estamos irritando a outra pessoa e fatalmente teremos que nos encontrar em outra vida para resolver essa irritação que não tinha nada com a pessoa.

Temos que aprender a distinguir, dentro de nossa alma, quando é uma projeção nossa. Que o primeiro momento do encontro é como se existisse uma percepção de EU para EU. Percebem-se dois espíritos, e daí para frente, aquilo que foi dado de graça na paixão agora vai ter que ser conquistado.

Gerardo A. Blanco

Publicado em: Encontros Cap IIon 15/05/2009 at 7:30 p05 Deixe um comentário


O Significado dos Vínculos e Encontros
Cap I

Vou começar contando uma estória que chama “A Sereia do Lago” dos Irmãos Grimm. É uma história para crianças e embora saibamos o seu significado mais profundo, não é interpretado para elas. As crianças entendem, pois elas têm uma ligação muito mais rápida com essas forças arquetípicas.

Era uma vez um dono de um moinho que morava num campo e que era muito rico. Toda farinha que fazia era muito apreciada na redondeza e vinha gente de longe comprá-la. Ele foi ficando cada vez mais rico e foi se acostumando com essa vida regalada, cheia de ouro.

Repentinamente, não se sabe o que aconteceu, ele começou a perder clientes, as pessoas pararam de comprar sua farinha, reclamavam da qualidade dela apesar dele continuar usando a mesma técnica. Ele começou a ficar pobre. E quando isso aconteceu ele começou a ficar muito angustiado e não pensava em outra coisa (os adultos costumam se preocupar muito com dinheiro). Estava então muito angustiado com essa situação econômica difícil e no desespero resolveu dar uma andada pelos campos. Perto de onde ele morava tinha um lago e, nesse lago, morava uma sereia e ela era terrível. Todo mundo tinha pânico dela. Ela tinha um encanto que atraia as pessoas e tinha uns poderes meio malignos. Todos sabiam da sereia e evitavam o lago, só que o nosso personagem estava tão envolvido com sua situação econômica, que não se deu conta e passou na beira do lago e nesse momento escutou um canto, uma força irresistível atraindo-o.

Ele sabia que não deveria olhar para lá, mas olhou e a sereia olhou nos olhos dele e disse: “Eu sei os problemas que te afligem, eu posso ajudar a resolver”. Mas ele começou a duvidar, perante os encantos da sereia, se aceitava ou não a sua ajuda. Então ela disse: “é simples, eu passo a fazer com que sua farinha seja vendida outra vez, você ficará o homem mais rico do país e só terá que me dar um presente, eu não vou te pedir nada, só quero que você me dê o que acabou de nascer em sua casa”.

No nervosíssimo em que se encontrava e como tinha uma chácara pensou que poderia ser um pinto, um porquinho ou um patinho e achou ótimo fechando o trato com a sereia.

Depois foi para casa com certo incômodo e quando chegou a empregada contou-lhe contente que tinha nascido o seu filho. Então ele se apavorou com a situação e percebeu que a sereia tinha conseguido enganá-lo. Com o tempo, como passou a ganhar muito dinheiro, foi se esquecendo da situação e acabou achando que tinha enganado a sereia, pois ela não tinha vindo reclamar o filho.

Proibiu o filho de passar perto do lago, pois estaria correndo um grande risco e o filho se criou sem nunca ter ido para perto do lago. Quando o filho cresceu, quis se tornar caçador, e foi para uma aldeia vizinha onde aprendeu a caçar e se tornou um bom caçador. Apaixonou-se pela filha de um caçador, se casou e viveram felizes numa casa de campo em perfeita harmonia.

Uma noite ele saiu para caçar e matou um veado. Quando foi carregá-lo sujou a mão de sangue e percebeu que estava perto do lago e quis lavá-la. Mas quando colocou a mão dentro da água saiu uma mão de mulher que pegou a sua e puxou-o para dentro da água (para o fundo) e sumiu.

A mulher em casa sentiu uma angústia e ficou preocupada com o marido. Então saiu durante a noite para ver o que tinha acontecido com ele .

Quando chegou ao lago e viu o que tinha acontecido ficou desesperada.

Conta a história que ela gritou feito louca, porque a dor era muito grande e gritou tanto que se cansou e dormiu na grama. Quando estava dormindo ela teve um sonho e no sonho subiu umas montanhas e atrás das montanhas tinha uma casa de madeira muito pobre.

Quando acordou quis fazer o que o sonho pedia. Então foi, reconheceu as montanhas do sonho, subiu por elas e do outro lado tinha uma casa e na casa tinha um velhinha. Então contou todo o problema para velhinha e ela lhe disse: “É só isso o problema? É simples, eu vou te dar a solução”.

Deu para ela um pente de ouro e disse “Na próxima noite de lua cheia, você vai pentear o cabelo com esse pente de ouro e vai deixar o pente de lado e vai ver o que acontece…”

Ela pegou o pente e ficou muito aflita porque ainda faltavam alguns dias para a noite de lua cheia. Quando chegou a noite de lua cheia ela se penteou, com toda calma que podia, e na hora em que colocou o pente na grama, uma onda de água se levantou para pegar o pente e nesse momento apareceu a cabeça do marido fora d’água. Não deu nem para se comunicar, nem para trocar alguma palavra.

Então ela voltou a ficar desesperada, começou a gritar feito louca e tanto gritou que pegou no sono outra vez. Quando ela pegou no sono, teve o mesmo sonho e decidiu voltar na casa da velhinha.

Chegando lá a velhinha disse: “É só isso que te preocupa, é simples, leva esta flauta de ouro e quando chegar a noite de lua cheia toca uma música na flauta, depois coloque a flauta de lado e vê o que acontece. Quando ela deixou a flauta, veio uma outra onda um pouco maior que a anterior, o marido apareceu, esticou os braços para ela e a água puxou-o outra vez.

Ela ficou desesperada e tanto gritou que dormiu e quando dormiu teve um sonho (montanha e casa) e resolveu ir ver a velhinha. A velhinha disse: “Mas é só isso que te aflige? Isso a gente resolve e deu-lhe agora uma roca de ouro. E disse: Na próxima noite de lua cheia você tece com a roca de ouro e depois deixa de lado e vê o que acontece”.

Quando chegou a noite de lua cheia ela teceu e quando deixou a roca na grama veio uma onda maior para carregar a roca e o marido saiu até os pés. Nessa hora ela pegou o marido pela mão e saiu correndo com ele conseguindo salvá-lo. Mas então escutaram um barulho atrás e quando olharam perceberam uma onda enorme, o lago todo levantou e vinha para engolir os dois. Quando ela viu a onda não soube o que fazer e invocou dentro dela a força da velhinha e pediu que salvasse os dois. Imediatamente ele se transformou num sapo e ela numa perereca e no que veio a água, não afogaram porque sapo e perereca nadam muito bem.

Só que depois que a água passou e se estabilizou, o sapo foi parar num lado do lago e a perereca do outro lado e por um passe de mágica voltaram a ter forma humana.

Mas aconteceu um mistério, eles esqueceram toda a história, não lembravam quem eram, nem o que tinha acontecido. Esqueceram tudo. Apareceram assim, um homem e uma mulher sem identidade, e ambos decidiram ser pastores. Como pastores ficaram errantes pelos campos tocando as ovelhas e de longe um via o outro e foram criando uma amizade, conversavam mas não se davam conta do que tinha acontecido. Até que numa noite, que era de lua cheia, os dois estavam sentados e estavam com uma certa tristeza, as ovelhas estavam calmas e o pastor tirou do bolso uma flauta e começou a tocar. Quando começou a tocar, ela começou a chorar e a ter lembranças do lago. O pastor então perguntou o que estava acontecendo e ela disse que era essa a música que havia tocado perto do lago na 2ª vez que tentou tirar o marido de lá.

Na hora em que ela falou isso, foi como um encontro, a lua estava iluminando o rosto dela e ele a reconheceu. E eles se abraçaram loucamente e foram felizes para sempre”.

Esta estória tem um conteúdo, evidentemente simbólico, a respeito do reencontro de uma vida para outra dos seres que tinham algo em comum, que é o tema que vou tocar hoje.

Diz Rudolf Steiner que muitos dos encontros, não todos, que ocorrem numa vida, e não são poucos, são encontros marcados quando passamos de uma vida para outra.

Esse processo acontece de uma forma bastante poética. Quando desencarnamos, nossa alma tem que fazer uma subida pelo mundo espiritual, aonde irá se elevando e passando por uma série de esferas de qualidades diferentes. O corpo fica na terra e a nossa alma continua junto com o espírito, numa viagem que vai passar por toda uma série de camadas, passando por uma série de experiências.

No momento em que estamos entre uma vida e outra, isto é, entre a morte e o novo nascimento, acontece uma coisa interessante com a alma.

Quando estamos na terra, temos um corpo e a alma ocupa um determinado espaço e tem um certo tamanho diferente, dependendo do desenvolvimento da pessoa. Isto é, é possível perceber a alma de uma pessoa num determinado local, mas assim que a alma desencarna, ela começa a adquirir dimensões praticamente “incomensuráveis” na nossa medida humana e as almas todas começam a se misturar. No mundo espiritual as almas de duas ou mais pessoas falecidas podem ocupar o mesmo espaço. Passamos então um determinado tempo misturado com outros seres com os quais iremos fazer uma série de trocas. Então, são pessoas com as quais já tivemos experiências na vida anterior ou pessoas com as quais vamos determinar uma experiência na próxima vida.

Como é que nesse momento o espírito decide que vai precisar ter uma experiência com uma pessoa numa próxima vida? Como esse processo é feito?

No momento em que cada alma se recolhe para começar um processo de encarnação, acontece algo interessante. Nesse momento, não voltamos só com a nossa alma, mas carregamos pedacinhos dos outros, das outras almas e as outras almas carregam pedacinhos das nossas almas. Esse é um processo pelo qual marcamos nossos encontros, ou seja, quando nascemos, a nossa alma não é somente nossa, nascemos com conteúdos que são eminentemente nossos e com conteúdos que recebemos do outro.

Gerardo A. Blanco

Setênios


Primeiro Setênio – 0 a 7 anos


É na primeira infância, mais precisamente durante os primeiros 7 anos, que as forças da individualidade estão localizadas na cabeça, e a tarefa neste período, é crescer, desenvolver os órgãos físicos que estão sendo formados, independizar o pólo superior do corpo, do pensar.

Com o nascimento, tem início o trabalho da individualidade, daquele ser cósmico que começará uma vida terrestre de transformação do invólucro corpóreo recebido dos pais apto às suas necessidades. Portanto, neste período, a individualidade se ocupará em se apropriar do corpo herdado, moldando-o e reestruturando-o conforme suas peculiaridades interiores.

A criança, por assim dizer, reforma, refina seu instrumento físico, que é a corporalidade. Essa transmutação significa, aos poucos, eliminação das substâncias herdadas, desde as células mais microscópicas, que se tornam cada vez mais individualizadas, até os dentes, que são as mais duras do corpo, quando no final dessa etapa, a criança perde a dentição de leite, substituindo-a pela permanente, que é aquela que construiu a partir de sua interioridade.

Olhando, para os nossos sentidos, que, com exceção do tato que permeia todo o corpo, estão localizados na cabeça, podemos ter uma idéia dos aspectos que devem ser cuidados neste período inicial, para que a criança possa gostar de estar na Terra, dentro de seu próprio corpo.

Assim, para a construção do corpo físico de forma equilibrada, a criança deveria ter vivências permeadas por situações e circunstâncias que a levassem a perceber que o mundo é bom.

A ela deveriam ser providas oportunidades de movimento livre no espaço, na medida em que vai se apropriando dele ao longo de seu desenvolvimento, desde possibilitar o engatinhar quando é bebê, até trepar em árvores e correr no campo quando é maior.

É por experimentação que a criança aprende, por tentativa e erro, e pelo princípio da imitação. O que não queremos que ela faça, não deveríamos também fazer, pois ela seguramente imitará gestos, fala, atitude dos adultos ao seu redor.

Rapidamente as faculdades humanas vão sendo adquiridas, quando, aos 3 anos a criança já conquistou o espaço físico com o andar, o espaço social com o falar, e o espaço espiritual, com o pensar.

Em síntese, neste primeiro setênio os princípios são :





· imitação



· bondade



· órgãos dos sentidos



· desenvolvimento do pensar



· processo de individuação física

Segundo Setênio – 7 a 14 anos


Ao final do processo anterior, do 1o setênio, as forças que estavam na cabeça se libertam e migram para a região do meio do corpo.

A criança vai acordando de cima para baixo, na direção da cabeça aos pés, e , nesta fase agora, coração e pulmão são os órgãos que ancoram o processo respiratório com o mundo.
O elemento do movimento de interiorização e exteriorização pauta a dinâmica desses órgãos e a relação da criança com o mundo.

Ela já não é mais um grande A,aberta para o mundo que a impregna, mas agora já possui uma interioridade maior e necessita de um elo de ligação entre o mundo de fora e o seu, interno.

O papel do adulto, pais e professores, tem uma grande influência neste período, pois é através dele, da autoridade que ela necessita e que eles possuem, que a criança receberá a imagem do mundo.

Portanto, os valores e ideais que o adulto possui pode beneficiar ou prejudicar a formação e visão do mundo infantil.

Se a autoridade é excessiva pode gerar uma maior inspiração do que expiração, desequilibrando o ritmo, e isso pode levar desde a uma timidez no futuro, à introversão, ou quadros somáticos de asma, etc .

Se, por outro lado, há falta de autoridade, se ela é insuficiente para o estabelecimento de normas tão essenciais neste período, a expiração maior pode conduzir à extroversão exagerada, que leva a criança a desconhecer seu limite e o do outro, até quadros mais histéricos, de dissolução da identidade.

Esses elementos precisam estar em harmonia para nos sentirmos bem e, se na fase correspondente à esses acontecimentos isto não ocorreu, é introduzindo o ritmo na vida do presente que se resgata o equilíbrio.

Assim como as normas, os hábitos estão sendo absorvidos, e portanto, a dosagem entre uma educação muito rígida ou muito liberal, deveria ser observada, pois tanto a imposição quanto a ausência de valores pode impedir um desenvolvimento sadio.

Nesta fase, onde o sentir está sendo tecido, a fantasia é muito importante, e daí a qualidade de imagens que a criança pode entrar em contato é fundamental ; situações onde ela pode criar, como ouvindo estórias infantis, contos de fadas, ou mesmo brincar com brinquedos que promovam a sua participação, é muito diferente daquelas onde, por exemplo, ela é mera expectadora, como no caso da televisão, ou de jogos e brincadeiras que não estimulem a sua criação, com brinquedos prontos, acabados, sintéticos.

Arte e religião são também fundamentais para a alma da criança que anseia por veneração. Assim, tanto o mundo artístico quanto o religioso são ricos em possibilidades para fazer fluir a alma infantil para o mundo. Como há uma busca natural pela beleza e pela fé, vivências do belo são fundamentais para um respirar com o mundo, assim como o desejo pela ligação com uma qualidade superior, elevada e espiritualizada consigo mesmo e com a vida.

É então que, no meio desta fase, o sentimento de diferenciação, por assim dizer, se estabelece fortemente, e a criança percebe com verdadeiro sentimento e uma espécie de dor, que existem diferenças: de educação entre si e os irmãos, diferenças de tratamento entre as pessoas, de raça, religião, cultura, enfim, situações onde ela se dá conta de que o mundo não é igual para todo mundo, que a lei não é a mesma para todos.

É, na verdade, um profundo despertar do sentimento próprio.

Terceiro Setênio – 14 a 21 anos


Seguindo o sentido descendente das forças que do Cosmo vão se encarnando na Terra, neste período elas chegam aos membros; passaram da cabeça ao peito, e agora acordam e se localizam nos membros, no sistema metabólico motor.

Se observamos a postura da criança pequena, percebemos que ela anda meio que suspensa, pendurada; depois, um pouco maior, ela pula, e na adolescência, se arrasta, e neste caminho da humanização, aos ela poucos conquista a postura ereta.

Então, da mesma forma que o princípio da imitação regia a criança de 0 a 7 anos, o princípio da autoridade de 7 a 14 anos, agora o princípio da liberdade é o regente.

O processo de metamorfose do ser humano o leva agora a necessitar do aprendizado através da liberdade, onde vivências da verdade são fundamentais – assim como a vivência do bom no 1o setênio, e do belo no 2o setênio.

A sociedade agora desempenhará um papel mais preponderante, assim como no passado o foram a família e a escola.É sempre uma ampliação da atuação de elementos, e não uma exclusão daqueles que já foram prioritários.

O jovem necessita de um espaço libertador externo e interno, pois nesta fase, vivenciará uma grande tensão, uma luta entre as forças cósmicas e terrestres, onde no palco está em jogo a sua identidade.É natural que, na busca de si mesmo, ele rompa com os esquemas vigentes em casa, na escola e na sociedade, e a forma, nesta época, é através de crítica, em movimentos abruptos e acusativos, sendo muito pouco provável um processo harmonioso.

O adolescente vivencia o âmago de seu ser, e o impulso da vontade, da ação é que vigora - por as coisas para fora é a palavra de ordem. Espinhas e desejos saem em borbotões, ele quer dar a sua opinião em tudo, modificar o mundo, reformar a família, os hábitos e costumes vigentes.

É uma força interior que quer se expandir no mundo, e a maneira de lidar com ela é através do diálogo, do encontro, da troca de opiniões, onde o jovem pode expor seus pensamentos e sentimentos, assim como ouvir seu ressoar no mundo.

No centro da luta entre estas forças, o adolescente vivencia duas polaridades intrigantes: o desejo por um mundo ideal, que corresponda ao que ele enxerga de mais puro na imagem do ser humano, e o desejo pelas coisas mais terrestres, que atuam de forma incisiva sobre sua sexualidade pelos prazeres terrenos, da carne.

Ele busca no mundo representações desta vivência ideal e mundana ao mesmo tempo, ele tem sede espiritual e física.

E assim, fica então vulnerável a todas as espécies de filosofias, na esperança de encontrar aquela que corresponda à sua realidade interna – é nesse período que precisa romper com as crenças familiares, ou, pelo menos, questionar as existentes; se os pais são católicos, ele buscará o espiritismo, protestantismo, budismo, e vice-versa, do mesmo jeito que fará com a comida, com a roupa, com a postura, com os gestos.

As drogas representam, nesta época, uma possibilidade de encontro com este mundo idealizado, ou fuga da angústia de não poder encontrá-lo.É importante que saibamos que é uma fase extremamente difícil, onde o adolescente precisa negar e se opor, para que, a partir da percepção do que não é, encontrar-se a si mesmo.Não sabe que ao longo de toda a sua vida buscará, de formas diferentes, a mesma coisa, e que as pessoas que o cercam, e que percebe como sendo tão prontas e acabadas, vivem o mesmo conflito.

O nó lunar, aos 18 ½ anos quando o sol e a lua se encontram na mesma configuração do nascimento, propicia uma abertura, uma ligação cósmico terrestre, que nos dispõe a vislumbrarmos o real sentido de nosso destino.

É a partir desta idade que começamos a ter um pensamento mais autônomo, ainda que, nesta época, acreditemos estar amadurecidos para efetuar julgamentos.

Há também o questionamento profissional, quando o jovem se pergunta sobre seu caminho e escolhas.

A opção entre o que lhe foi imposto e o que quer, cria rupturas. Buscar a si mesmo e descobrir o que é seu, o que é do outro, o que pode ser compartilhado, propicia ao jovem conhecer novas paragens e alargar seu horizonte antes de completar a idéia e impressão sobre si mesmo, que aos 21 anos se realizará com mais firmeza.
Quarto Setênio – 21 a 28 anos

Retomando a idéia do homem como cidadão de dois mundos, o celeste e o terrestre, e a vida como uma conversa, um encontro destas duas forças, chega-se aos 21 anos de vida com o fim da fase do crescimento corporal, e princípio da auto-educação.

Aqui, de uma forma geral, as forças completaram e estiveram a serviço do desenvolvimento físico, e o homem emancipa-se de uma educação herdada; ele chega nesta idade com um patrimônio: um corpo adulto e uma estória pessoal, familiar, escolar.

Aos 21 anos, a entidade psíquica individual, o “Eu” começa realmente a se formar.Uma parte supra-sensível do ser humano, mais exterior, é desperta, acordada, e é aquela que está em contato com o mundo exterior – e por isso mesmo, muito mais impressionável por ele.

O ser humano, nesta fase, depende muito da aprovação de fora, e funciona em altos e baixos, deixando-se influenciar pelo externo, e a luta é não se deixar impregnar demasiadamente, paralisar ou impedir-se de viver emoções -

neste período a vida está para isto. São momentos fortes, onde temos que pesar e refletir sobre o que herdamos, olhar para o que ganhamos e o que temos, e avaliar deste patamar o que serve aos nossos propósitos de vida, o que devemos incrementar e do que podemos abrir mão – valores que nos serviam até então, mas que a partir de agora podem impedir nossa própria evolução, assim como uma roupa fora de moda, que não combina ou não cabe mais.

Em olhando o que recebemos, devemos avaliar o que pode e o que deve ser mudado em favor do nosso próprio caminhar.

Temos que ter a flexibilidade e habilidade para nos despojarmos daquilo que não nos identificamos mais, da mesma forma como temos que nos reconciliar com o que não dá muito para mudar, por exemplo, com a constituição física.Na verdade, esse é o começo de um processo que vamos depurar a vida inteira.

Com o “EU” mais livre do trabalho no corpo físico, e agora ocupado com a constituição da alma, temos então maior distanciamento daquele, e por isso podemos vê-lo deste novo ângulo.



Portanto, concretamente nesta fase, podemos estar:



-procurando emprego



-terminando a faculdade



-namorando /noivando /casando



-iniciando nova constituição familiar



-tendo filhos



-estabelecendo as bases para a sobrevivência financeira

Quinto Setênio – 28 a 35 anos


A fase do 5o setênio começa com uma das grandes crises na vida, por volta dos 28 anos, onde somos reivindicados a uma emancipação da imagem que até então tínhamos de nós mesmos, da nossa própria vida, dos nossos talentos, enfim, da nossa identidade.

A sensação anterior de ser dono do mundo sofre um abalo e o que toma o seu lugar, é uma sensação de angústia, de vazio, de desconhecimento de si mesmo, e insatisfação. Sentimo-nos impotentes nesta passagem da juventude para a maturidade, de um viver mais impulsivo para um viver mais sério, responsável.

Temos a sensação de que nada que aprendemos ou fizemos, tem muito mais valor, sentimo-nos incapazes de termos idéias, e começamos a viver ao nível da alma um tipo de espelhamento, o mesmo sofrimento vivido no corpo físico enquanto adolescentes até 14 anos.

Vivemos intensamente a influência dos ritmos cósmicos, que na verdade, buscam conectar-nos e alinhar-nos com nossa real intenção pré-natal.

Temos então o 30o ano, que coincide com a passagem das forças de Saturno e nos cobra estrutura, bases, pilares, e no corpo, corresponde aos nossos ossos, o que há de mais duro no organismo humano.

Temos, logo após, o 31 ½ ano, que corresponde à metade do 63o ano de vida, marca final das atuações planetárias e zodiacais. Depois dessa idade, ficamos mais livres.

E para completar, o 33o ano, que pontua o máximo de encarnação do homem na Terra, e ano da morte de Cristo. Sentimos o sofrimento da densidade, do espírito aprisionado na matéria, da via crucis.

Em verdade, a vivência desse período é sentida como uma morte e, realmente, para podermos nos individualizar e tornarmo-nos autônomos, precisam morrer valores que não mais correspondam ao “EU” verdadeiro, para que o ego dê lugar à esta individualidade, esteja a seu serviço, evolua, se integre a ela.

O sentimento de ressurreição ocorre quando, passando pelas provações, percebemo-nos mais inteiros e vivendo de acordo com um código de leis mais próprio, uma renovação moral a partir de uma maior interiorização, uma libertação do velho e disposição para o novo.



Portanto, concretamente nesta fase podemos estar:



-tendo crises no casamento, fazendo separações ou novas uniões.



-tendo rupturas no trabalho ou vendo-o sob novas perspectivas



-buscando o isolamento



-trocando o círculo da amizades

Sexto Setênio – 35 a 42 anos


· RELAÇÃO COM A ESSÊNCIA -

NO MUNDO / NO OUTRO / EM SÍ



· MAIS CAPACIDADE DE JULGAMENTO



· DESGASTE FÍSICO X MATURIDADE PSÍQUICA



· CONQUISTA DO MUNDO MATERIAL



· O DESAFIO É ENCONTRAR VALORES ESPIRITUAIS



· A PERGUNTA É : COMO É QUE ENCONTRO O CAMINHO PARA A ESSÊNCIA DO MUNDO E PARA MINHA PRÓPRIA ESSÊNCIA ?





Chegamos aos 35 anos e entramos na formação da alma da consciência,última fase do desenvolvimento da alma propriamente dita,onde o Eu adentra mais profundamente na corporalidade suprasensível .E nesse sucessivo despertar da alma, sentímo-nos levados a uma busca ao essencial no mundo,no outro,em nós mesmos.

O mundo material teve já suas conquistas,

construímos uma carreira,relações,família e,de repente,atentamos para a importância do mais recôndito nos seres ao nosso redor,no sentido do que fizemos,nas leis que regem o mundo.

A vida exige que demos um passo do anímico ao espiritual,e,como as forças atuam no pólo superior do corpo,sentimos que conseguimos ver mais verdadeiramente do que até então,a real natureza das coisas.

A capacidade de julgamento aumenta e se torna mais livre dos invólucros superficiais,que a visão das fases anteriores possuía.

Vivencia-se um novo nascimento,precedido pela morte e o vazio dos velhos princípios.Reinicia um período de percepção dos limites e aceitação de si mesmo.Nos tornamos mais disponíveis para o mundo,porque deixamos gradativamente de nos ocupar conosco mesmos.É o desabrochar do desenvolvimento espiritual que chega quando o homem vai chegando aos 40 anos e ele se questiona se há ainda algo de novo que possa ser vivido.Começa a se perguntar sobre sua missão na vida.Sente aos poucos que algo está por vir,e acontece um verdadeiro renascimento,quando se julgava tudo pronto e definido.

A aceitação do desgaste físico,e a busca de um ritmo adequado se faz necessário para que a consciência se amplie em todas as direções.

A relação com a vida é mais intensa,lapidada e autêntica,e é grande a possibilidade de vivência como ser espiritual,de se reconhecer como entidade espiritual incorporada.

Sétimo Setênio – 42 a 49 anos


Como um novo recomeço,a entrada nesta fase traz a vivência interna de que algo novo necessariamente há de vir .

Percebe-se que, como está, não dá para ficar ou continuar, e que a vida dá sinais de grande mudanças, as pessoas sentem algo de novo em si.

O princípio desta fase coincide com o final do período mais quente e ensolarado da vida, a saber,os últimos 20 anos ;

os próximos setênios correspondem ao desenvolvimento da natureza espiritual do homem, assim como o período anterior ao desenvolvimento da alma,e o primeiro,ao desenvolvimento físico.

A entrada nos 40 traz, quase que inevitavelmente, uma crise existencial, e como é uma fase que espelha fisiologicamente os 14 – 21 anos, vários fatores da adolescência influenciam nesta época. Eclode uma necessidade de rejuvenescimento que pode tomar as mais variadas formas na mulher e no homem.

A desvitalização do corpo físico gera medos reais do envelhecimento e da morte. As mulheres, próximas da menopausa, percebem que o corpo não é mais rijo como antes, que o rosto fica enrugado de um jeito difícil de dissimular, e então as plásticas imperam.Os homens sentem que as pernas afinaram, que a barriga cresceu muito,e então o Cooper e as academias de ginástica e musculação desempenham seu papel.

A preocupação com a perda da beleza física e da sexualidade existe, podemos cuidar de manter o corpo bonito e sadio porque é ele o instrumento espiritual na Terra, mas os artifícios para a manutenção física não deveriam impedir ou tomar o lugar da beleza interior.

As forças desprendidas dos órgãos sexuais e da reprodução podem ser metamorfoseadas em criatividade, o elemento central dessa fase, imagens criadoras, renovadoras.

Além dos artifícios para a manutenção do corpo físico, existem também os artifícios que emergem como saída para a manutenção da vida emocional, que são o álcool e a cocaína.

Com a sensação de perda de força e de morte, o ser humano, nesta etapa da vida, pode ter muitas depressões e se apegar ao que é velho e conhecido no trabalho, nas relações familiares e pessoais, numa tentativa de manter intacto o que já têm .

As mudanças que a vida pede, geram muitas inseguranças que impedem o indivíduo de abrir mão do que é velho, como valores, preconceitos, papéis, e ir de encontro ao renascimento que o espera .

É com muita dificuldade e sofrimento que esta etapa é transposta para conseguirmos vislumbrar os frutos que possuímos para doar.

A resistência a mudanças impede o indivíduo de desenvolver talentos que ficaram para traz, tesouros que ficaram escondidos, e reativá-los.

E para complicar a falta e os excessos desta fase, há a questão do sósia, da sombra, daquilo que encarna no parceiro, no patrão, nos filhos, enfim,que é tão difícil de lidar, porque está diretamente ligado aos aspectos pessoais não resolvidos, não integrados.

As forças do sósia se tornam extremamente intensas em torno dos 40 anos. São aspectos para os quais somos levados a hostilizar, ou nos identificar cegamente, por uma força que se ergue em nós. Em geral, nos confrontamos com o sósia do outro, já que a própria sombra é difícil de ver.

Assim, grandes confusões, agressões e descasamentos acontecem, porque as relações ficam contaminadas por aquilo que se vê no outro, que é profundamente unilateral – algo expurgado daquilo em nós que não admitimos, não conseguimos lidar, mais o do outro.

Projetamos nossos aspectos indesejáveis e/ou renegados no outro, e somos vulneráveis à sua sombra – seus vícios, manias, defeitos, enfim.

Se não trabalharmos conscientemente na relação, e procurarmos ver a essência do outro, sua inteireza, o sósia, ou seja, a soma de todas as qualidade negativas, comanda.

Temos que nos esforçar para integrarmos nossa sombra à nossa personalidade, e não alimentá-la, deixando que a força da raiva, da inveja, do desprezo, dominem a situação.

Há que se desenvolver muita calma interior !

Devemos ter em mente que tudo o que fazemos contra a vontade é alimento para o sósia.

E fica, então, difícil reconhecer nele uma oportunidade para a transformação de seu conteúdo.

A sombra e a luz são condições inerentes à existência humana, e uma, certamente, não existe sem a outra na vida terrena.

Oitavo Setênio – 49 a 56 anos


A entrada nos 50 anos equivale à época mediana do desenvolvimento do espírito, e por isso mesmo, para aquele que vive espiritualmente, a mais tranqüila e produtiva da vida.

As forças, que na fase anterior estavam se desprendendo da região metabólica e dos órgãos correspondentes, estão agora se libertando da área mediana do corpo, coração e pulmão, e se dispondo para uma moralidade e uma ética de qualidade superior, refinada, mais humanizada.

É a época da vida denominada jupteriana, pois possibilita uma visão mais ampla e geral da própria estória, do desenvolvimento da humanidade, do sentido das coisas, da existência.

Os valores pessoais deveriam agora dar lugar a valores mais humanitários, e a preocupação se concentrar na família universal e não apenas na individual.

Dependendo da evolução do ego do indivíduo, ele pode dispor da sua sabedoria para o mundo, ou continuar apegado às próprias necessidades ou às do grupo familiar, desconhecendo a maravilha que é colocar seu patrimônio interior a serviço da mundo.

É a fase do pai e da mãe universal.

Como esta fase espelha fisiologicamente o setênio 7 a 14 anos, o elemento do ritmo tem de ser priorizado, e os órgãos rítmicos, assim como o ritmo cotidiano, têm de ser cuidados , preservados e respeitados.

É comum o aparecimento de problemas respiratórios, principalmente se a relação respiratória com o mundo foi difícil na pré puberdade ; stress e enfarte também ocorrem.

Deve-se procurar um novo ritmo biológico mais adequado às características físico emocionais.

A vida nos ensina nesta época uma nova audição, temos a possibilidade de ouvir a voz do coração para esta renovação ético / moral que agora é propícia.

No concreto, neste período ocorrem as aposentadorias, o que por sua vez traz o sentimento de inutilidade e vazio.

Há que se preparar para esse momento e refletir no que se fará após, planejar a vida para o depois desse acontecimento, afim de não ser uma passagem muito brusca que pode assustar e levar o indivíduo a exceder no trabalho para ainda se sentir útil e não velho, impotente, incapaz.

A sociedade como um todo ainda valoriza muito a força biológica e não tem olhos e condições de discernimento para as capacidades de liderar dos 50 anos, e, sobretudo, de abençoar, principalmente aqueles que puderam, entre 7 e 14 anos, aprender a venerar.

Nono Setênio – 56 a 63 anos


Os mesmos órgãos dos sentidos que foram as portas para a entrada na vida terrestre no 1º setênio, vão, aos poucos, se tornando portas de saída ; não se vê, nem se ouve tão bem como antigamente, o paladar já não consegue sentir direito o gosto dos alimentos, os cheiros e as texturas não são mais sentidos tão intensamente.

A vida começa a dar sinais de que o ser humano têm agora que ir-se voltando para dentro de si mesmo , internalizar-se, desenvolver os sentidos espirituais.

O portal de comunicação com o mundo externo começa a se fechar.

Como um eremita, a partir desta fase, necessitamos da auto reflexão na busca da nossa essência, para o desenvolvimento de intuições a partir da força do amor que torna-se então a representante do verdadeiro e supremo conhecimento.

O 56º ano de vida traz uma brusca mudança que é sempre crítica, pois penetra-se numa esfera onde tudo parece ter que morrer para depois ressuscitar de uma forma muito sofrida.

Por vezes tem-se a sensação de fracasso de tudo aquilo que se desejou, e que nada do que se almejou foi alcançado.

Questiona-se muito o que se realizou no passado, e se torna importante avaliar o que ainda deseja realizar, o que pode e o que não pode mais ser realizado pela própria condição desvitalizadora, pelo tempo.

Certos cuidados se fazem muito importante, como a estimulação da memória, mudanças de hábitos, recursos criativos.

O trabalho é importante na vida, mas não deve ser a única fonte de realização pessoal. Pessoas excessivamente voltadas para o trabalho tornam-se resistentes às mudanças, perdem a visão global, sentem-se ameaçadas e, muitas vezes, são menos produtivas e criativas do que aquelas que possuem outras fontes de realização.

Aquelas que, além do trabalho, lecionam, tocam algum instrumento, freqüentam outras atividades e amigos, realizam viagens com certa dose de aventura, se dedicam a um hobby, praticam esporte, escrevem textos, crônicas ou livros, enfim, são pessoas com uma visão do mundo, de seu trabalho e da própria vida muito mais rica e feliz.

Caminhando para a terceira idade, e mais livre dos compromissos da 1ª e da 2ª, temos a chance de rever o que ficou de lado e que, com freqüência, dá novo sentido à vida. Entregar-se ao que pede para ser vivido com satisfação, de maneira renovada, e ao mesmo tempo, livrar-se do inútil e supérfluo que se carrega por hábito.

Inclusive de preconceitos, pois vivemos em uma época com tantos recursos para a renovação do corpo e da alma, que deveríamos fazer bom uso do livre arbítrio e decidir que rumo tomar no caminho do amor, do encontro com outros seres humanos, da alegria de viver.

Como tudo no Universo está em constante transformação, e nada é estável e permanente, somente existe possibilidade de evolução onde há possibilidade de mudança.

Após os 63 anos, o ser humano vai, cada vez mais se libertando das leis e ritmos do destino.

O envelhecer vai chegando com o florescimento interno que é percebido no olhar do idoso que vive muito mais em uma realidade supra sensível do que sensível – para além dos sentidos.

O corpo vai ficando mais leve e transparente, o espírito se torna mais visível, os“ avós ” irradiam aquela força onde o sol interior consegue aparecer.

Ferramentas para a Educação


A ferramenta mais importante e que devemos conquistar é a intuição. A intuição se desenvolve através da imaginação, “através de uma imaginação de imagens vivas” Rudolf Steiner.

Devemos investir tempo desenvolvendo a imaginação.

O professor economiza tempo ao fazer seu planejamento se usar a intuição. A habilidade de imaginar da forma correta é a base do trabalho do professor. O planejamento deve ter por base os alunos e pais que estamos servindo. É necessário entrar dentro de quem estamos servindo para tomarmos decisões corretas e não a partir do que pensamos que seja correto. Devemos nos libertar do que nós pensamos e entrar na necessidade do outro.

O mais importante num encontro é o que acontece na interação, “acordando dentro do outro”.R.S.

É possível acordar dentro do outro com uma idéia, como também acordar com uma imagem.

A idéia implica numa conclusão; impede o outro de entrar na minha alma.

É muito pesado e causa um desgaste para as forças vitais querer seguir um programa com os alunos , sem usar a intuição.

A imaginação é a porta para a intuição. Treinamos a intuição trabalhando com imagens. Imaginação é diferente de fantasia. Na imaginação eu permito ao mundo criar dentro de mim o que tenho que trazer ao mundo. Quando o mundo fala, começo a criar uma imagem que respira entre eu e o mundo. A fantasia vem de mim. Nesta respiração da alma, minhas forças vitais ficam intactas.

Na biografia de Rembrandt é o sofrimento que aparece como um impulso e ele o supera observando dentro do outro.

No caminho da intuição pela imaginação o que buscamos é um propósito, um gesto. Este gesto é trabalhado olhando o trabalho de outra pessoa e é um trabalho sozinho, individual.

OS QUATRO PASSOS PARA REALIZAR ESTA TAREFA:

1)OBSERVAR- dentro desta palavra tem o servir. Em observando minha alma, meu humor serve a alguém. A vida interna da alma serve o mundo externo. Eu me rendo, paro de pensar só e penso com.

2)REPRESENTAÇÃO- Quando eu checo se estou pensando só ou com. Apresento a imagem para mim mesmo dentro da minha mente.A observação é seguida da representação e vejo se isto é essencial e isto fazemos com o coração.

3)SILÊNCIO- Fico dentro de mim mesma em silêncio. Se não temos este tempo de silêncio, logo crio uma conclusão. Como hoje o mundo cobra rapidez, é fácil entrar neste movimento do não silêncio. É necessário esta pausa. Sem pausa, sem vida interna, só há estímulos e respostas, consciência reativa e não criativa e isso gera stress.

Dennis chama isso de “consciência de cardápio”, Todo nosso mundo vive direcionado pelo cardápio. Penso ter liberdade escolhendo um item do cardápio; mas isto é anti criativo.

4)DIÁRIO, GRAVAR, RECORDAR . Devo nesta fase chegar a uma pergunta, a uma palavra, a uma imagem.

Devo repetir, repetir, repetir… este processo muitas vezes, o que permite acessar a imaginação vinda do mundo espiritual e cada vez ir fazendo correções, pequenas correções…grandes correções… (esta é a base do processo artístico). Às vezes vem uma grande correção que pode ser sentida como um desastre ou como grande alegria. Libertar do stress é saber transformar o desastre em alegria.

Base da imaginação- imaginação moral

Observar como as pessoas movem as mãos ao falar nos mostra como seu coração se expressa. Observar como as mãos expressam o que o coração diz.

Observar a vontade se expressando no corpo. Como é o gesto da pessoa? Como é o encontro do olhar. Para onde olha o olho? Observar a vontade nos olhos.

Estar com pais de alunos, com alunos…tem a ver com encontros cármicos.

O primeiro passo do exercício do carma é a vontade; o segundo é o sentimento. Qual sentimento me faz sair da cama toda manhã? Pensar isto sobre os alunos, e isto tem a ver com o que vivemos no mundo espiritual durante a noite. Uma segunda chave para observar o sentimento é fazer a pergunta: o que meu sentimento deseja? O que ele sente quando o desejo não é satisfeito ou quando é satisfeito? O terceiro passo é o pensamento. No pensar é difícil encontrar coisas em comum.

Antigamente as famílias que buscavam a educação Waldorf, o faziam por uma busca a um ideal. Hoje a busca é diferente, é a busca pelo sucesso.

DESAFIO: Como encontrar um estado de Paz, uma sensibilidade dentro deste conceito, dentro deste tempo tão tumultuado???

Estamos na época de Aquário, estamos buscando sintonia!

Fantasia é a consciência da criança pequena, que vem da experiência sensorial, da experiência vinda dos sentidos.

O que nela penetra depende do que há em torno dela. Os sentidos criam na criança o conteúdo da consciência e isto se chama fantasia. Através da educação vamos superar a fantasia pelo pensar.

Quando mudo, quando amadureço, Transformo o que vem de fora e meu interior. Eu determino minha imagem interior, eu posso ver o conteúdo da minha alma mudando meu pensar,sentir e querer.

SEGREDO:Preciso do outro para fazer este trabalho; os outros me contam onde preciso mudar! Posso fazer isto naturalmente, em terapia … … ou quando quero ser uma pessoa melhor no mundo.

Os professores devem fazer isto para não criar imagens negativas nas crianças. As imagens que usam são remédios, são nutrientes para alma e purificam o pensar, sentir, querer.

Muitas vezes não lembramos o que nossos professores nos ensinaram, mas lembramos do coração, da alma que ele nos expressou. Os jovens ouvem a vida interior do professor. Eles ouvem por que confiam na alma do professor.

Lembrar é representar.

Os terapeutas nos mostram que o indivíduo lembra sempre de imagens negativas e é necessário se livrar destas imagens, mas só depois de tê-las trabalhado. Livrar é diferente de esquecer. Livrar é esquecer conscientemente!

Primeiro: é necessário construir uma imagem (observar). Segundo: é necessário esquecer esta imagem (representar). Terceiro: É necessário silenciar. Silenciar é tão importante quanto lembrar. (Silenciar). Seguindo estes passos posso criar imagens que tocam minha alma. O Silêncio representa humildade. Eu digo ao mundo espiritual: -isto é o que eu acho. Pergunto:-o que vocês me dizem? “Bem aventurados os pobres de espírito…” O anjo do aluno atua pelo silêncio consciente na minha alma, quando dissolvo algo que acabei de criar a respeito dele. Quarto: é necessário registrar o que vem do silêncio, através de um diagrama, palavras soltas, idéias… … … O importante é registrar! (recordar, gravar).

Os anjos adoram ver as mãos escrevendo, mas não dão a mínima para o que escrevemos, olham a ação, o gesto, a arte.

Quando registro algo, minha vontade se muda, se torna criação. Crio imagens do que vive na minha alma: poesias, sonhos, pequenos fragmentos, Hai-kai… Não importa o que registro mas que você registre.Deixemos que a vontade se mova sem achar que isto seja uma resposta.Depois de um tempo preciso repetir esta imagem. O que importa não é a resposta mas o processo.

Quanto mais eu repito este processo mais desenvolvo minha intuição, mais desenvolvo minha imaginação. Assim abro a porta para a inspiração;até que esta porta fique aberta mais tempo e então posso ver meu anjo e o da criança conversarem.Tanto a alma da criança como a nosso é tocada pelo anjo.A verdadeira educação é a comunicação de alma com alma.

Podemos observar a vontade de uma criança de várias formas, uma dela é pelo gesto do andar.

Jacob Boehne foi um sapateiro que observava como os sapatos se gastavam e como era a vontade da pessoa através do que via.

Podemos também observar o rosto e saber como se expressa a vontade.

Quando temos alunos melancólicos podemos contar histórias bem tristes,assim vão dizer:nossa, alguém sente algo pior que eu…

Sempre temos que combinar estilos de vontade numa conversa para executar um plano. É importante observar como estes estilos diferentes podem se encontrar. Que sentimentos estão atrás dos estilos de vontade; quais os desejos inerentes?

Os sentimentos emergem em nós como se estivéssemos com 3 ou 4 anos na nossa família de origem ( quando ingerimos o alimento,a comida e como os sentimentos ou questões familiares eram resolvidos lá.) É no gesto que vive o sentimento. Observar os retratos e imaginar como estas pessoas chegaram à vida adulta com estes gestos.

Algo acontece com os professores que por muito tempo vêem os outros anotarem tudo o que eles falam. Acabam achando que quando eles próprios têm que resolver problemas, será atendido desta forma! A questão é: como posso expressar os pensamentos de outras pessoas sem editá-los.

Quando alguém fala algo ou faz algo que consideramos errado, geralmente há uma correção imediata. Isto não é saudável, pois as vezes falamos em voz alta um pensamento que ainda não está finalizado e antes que tenhamos tempo para fazer nova consideração ,já vem um corte, uma correção ou crítica. Todos querem sentir que seus pensamentos foram ouvidos, mesmo que ainda não estejam em sua melhor forma. É importante acolher este pensamento sem correção – ouvir o outro-

“Quando enxergamos a “falha” posso como humano em liberdade mudar meu pensamento. Se meu pensamento é corrigido imediatamente, algo apunhala minha liberdade.

SEGREDO-Sentir empaticamente o outro. No reino do pensar isto é muito delicado. O que precisamos é criar ou propiciar a criação de um espaço interno onde aquele pensamento ainda não bem formado possa no futuro ser corrigido em liberdade.

Frase meditativa:

“Quando eu quero o meu pensar, é isto é liberdade.

Quando meu pensar é a minha vontade, isto é liberdade.

Quando eu penso para dentro do meu querer, isto é Amor. ”R.S.

Quando sou voluntário no meu pensar posso corrigir meu pensar, tenho controle da minha imagem interna. São João chamava isto de metanóia – uma força profunda e poderosa na alma.

Mudo meu pensar olhando para meu sentimento. Tenho que olhar para minhas próprias expectativas para mudar minha alma e desenvolvo compaixão aos outros que tenham a mesma expectativa.

O ser humano vem para dentro do mundo achando que é diferente, separado dos outros. Quando percebemos que todos sentem isto, vemos que temos isto em comum.

“O que me separa de você é o que tenho de comum com você.”R.S.

Olhar para minhas próprias expectativas é a raiz da minha imaginação.

Existe uma diferença entre o olhar para e o olhar com.

Quando olho minha consciência estou no nível TERRA.

-Olhar para a imagem escolhida com uma força vinda do coração e que sai pelos olhos chegando à imagem. –Tatear a imagem com o olhar. –Monitorar o sentimento que sai do coração e vai até a imagem e como ela volta. –Ouvir! –Ouvir com o coração, no silêncio. –Ouvir e anotar o que vem como resposta.

Para Rudolf Steiner o tato é o sentido mais fundamental. Todos os outros sentidos têm dentro de si o tato. Entro em contato com o tato quando entro em contato com meu mundo interior.

Temos que redimir uma imagem decadente!

Quando olho a partir dos meus olhos eu me separo do papel, da imagem. Tenho que trazer algo para mim para não sentir que tudo é alheio a mim.

O papel, a imagem está fora de mim. Trago algo dele para dentro de mim, trago a imagem. Isto é um processo de respiração da alma. É o que Steiner chama de “em almamento”. O propósito do ser humano é “em almar” o mundo; as almas precisam se encontrar com consciência.

É diferente ver algo fora ou ver a partir do meu interior. A diferença entre estas duas observações é a experiência TERRA. Dizemos: “isto não sou eu”…”isto não sou eu”…e passamos muito tempo buscando algo para em-almar.sentimos a melancolia da nossa busca terrestre… “Vivo no mundo e nada sou eu”.É a consciência de estar na Terra e há um temor nisto: viver num mundo onde não consigo me encontrar.

Isto vem com a criança e se expressa no ensino médio. Isto pode ser trabalhado com o tato. Exemplo: è diferente o gesto de alguém nos tocar na fala apontando o dedo ou nos tocando calorosamente com a palma da mão ou com um gesto dos braços acolhedor. Existem palavras, imagens, gestos que cutucam e outros que acariciam. Experimentando a consciência terrestre: Dennis pediu que escrevêssemos nosso nome no papel; depois fazê-lo novamente com consciência.Observar como se toca o papel, como se segura a caneta… … …

O tato é o único sentido que une e separa ao mesmo tempo. Os outros tem um tanto do tato em si.

NIVEL ÁGUA

Não reter todas as imagens em nós é um presente que as hierarquias nos dão.

Nosso corpo tem forças vitais que querem dissolver as imagens que recebemos.Temos que ter um jeito para estar dentro do fluxo.

Quando quero fixar, o corpo vital quer dissolver. Faço um trato com o corpo vital, Eu quero reter a imagem e uso uma senha A B C.

Olho a imagem (B) imagino como era antes (A) e como será depois (C). Vejo a imagem em sequencia, como gosta meu corpo vital, mas estarei controlando, então estou usando TERRA E ÁGUA.

A B C é um jeito de treinar a observação porque resolve a questão da dissolução e A B C pode sempre se alterar. Se fizermos isto por uma semana entramos em nosso processo criativo.É uma prática que se auto corrige.

Observar-TERRA Representar-ÁGUA

Silêncio:Um jeito de entrar no silêncio é pensar o ABC ao contrário CBA- Pensar de trás para frente. É necessário “cultivar o tédio”, a monotonia; fazer exercícios com “enfado consciente” ou seja: – em silêncio- .

CBA é aprender a pensar para trás. Este processo é muito útil para professores ao preparar uma época, sem se cansar.

Silêncio- consciência do AR.

SEGREDO:Aquilo que deixo ir é levado para o mundo espiritual e devolvido corrigido. Isto acontece quando há um grande esforço do indivíduo.

Terceiro nível da vontade-graça- Do mundo espiritual recebemos a ajuda daquilo que foi esquecido. Temos que “esquecer” para receber.

Para isto serve a revisão da aula.

Consciência ígnea – FOGO. Observar a imagem novamente. Quando queimo algo o que sobra são as cinzas.As cinzas tem sementes da nova visão, da próxima lição .Só há um jeito de criar cinzas: queimar ( transformar) o que escrevemos.A vontade para escrever vem do fogo,do silêncio surgem novas idéias. O fogo possibilita diferentes formas de visão.

Se fizermos isto acabamos desenvolvendo intuição e o Arcanjo nos auxilia com o que vem de meus clientes e de mim.

Os Anjos auxiliam os indivíduos. Os Arcanjos auxiliam os grupos. Quando um grupo se reúne os Anjos se encontram e daí há a possibilidade de recebermos a ajudo do Arcanjo .Quando faço encontro visual com pessoas o Arcanjo vai nos orientando o que falar.

Rembrandt começou sua carreira retratando gente rica na Holanda que na época crescia com o mercantilismo. Descobriram que no solo da Holanda podia-se plantar linho e com isso usaram com fartura os panos para as velas dos barcos e tornaram-se uma grande potência. A classe média mercantil cresceu rapidamente. O óleo da linhaça era usado como base da pintura a óleo.

Rembrandt encarnou numa época em que se podia fazer grandes telas e tinha o óleo necessário para sua pintura. Rembrandt passou por muitas perdas, muitas mortes de pessoas que amava. Intuiu que pintando cenas bíblicas poderia oferecer imagens curadoras ao próximo, mas era muito solicitado para retratar as pessoas importantes da época. Alguns retratos ele pintou como pagamento de dividas. . Tinha uma mãe mentalmente comprometida e as autoridades queriam prendê-la pois a chamavam de bruxa.Teve sucesso na vida pública , mas sua vida particular foi trágica. Começou e terminou na miséria.

Nesta época as pestes forçavam as pessoas do campo a pedir ajuda. Para Rembrandt isto lembrava a dor da Sagrada Família. Daí pensou em oferecer as imagens da Bíblia como imagens sanadoras para o povo.

A Arte é enfatizada no currículo Waldorf porque na arte as pessoas têm o poder de se transformar em diferentes pessoas. É interessante vivenciar cada personagem das imagens. Quando olhamos para uma imagem tentamos ser aquela figura e isto é configurar.

No mundo espiritual não tem certo ou errado, mas saúde e doença.

Em nosso trabalho a pergunta deve ser: – isto me leva à saúde ou à doença? Se eu desperto a saúde aos outros, eu começo a me curar desenvolvendo a compaixão.

Os movimentos dos olhos (no olhar) geram movimentos em nosso corpo. No nervo óptico é como se houvesse um homenzinho que, ao olharmos algo, faz uma espécie de eurritmia. Os nervos ópticos estão ligados a outros centros muito primitivos em nosso cérebro. Esse é o mundo onde a criança vive. Aí está a fonte da fantasia.

O que você vê, ouve e o movimento da língua se juntam no mesmo nervo, o trigêmio, que vai ao mundo profundo do cérebro, o sistema límbico.

Quando vemos uma paisagem recebemos a luz da paisagem e aí vemos mais, vemos detalhes, temos um olhar empático.

Há uma grande força no olhar e é bastante real. O OLHAR- existe poder no olhar e preciso aprender a olhar com as coisas, participando do ritmo das coisas que estou olhando.

As forças de vida são ativadas pelo entusiasmo e simpatia e faço isso com minha imaginação, não só com minha memória .

A Arte tem o papel de criar entusiasmo por viver de forma imaginativa. A Arte tem papel fundamental, cria órgãos de cognição, que é a melhor ferramenta do professor; concede a graça quando tudo está dando errado. A Arte permite a entrada de novas forças.

R.S. usa com muita freqüência a expressão respirar. (ver, ouvir, tatear, como forma de respiração).Pode estar aí incluído até a formação do pensamento.

Precisamos aquecer nosso respirar, em-almar os processos vitais ligados à respiração.

Nutrição- posso fazer em meu corpo disso, mim, eu. Podemos fazer estes passos com o ouvir, com o tato, com biografias, etc.

No aquecer está a cura.Hoje há tanto desequilíbrio na Terra. Os indivíduos estão tão frios que a atmosfera está esquentando; somos um!

O medo não nos permite despertar no outro. O medo saudável é eu despertar no outro e perder meu eu; mas tenho de fazê-lo sabendo dos meus limites e onde e quando devo parar. Se temos forças e trabalhamos com ritmo podemos nos aproximar do outro, orar pelo inimigo. Isto tem que ser feito com autenticidade. Ao fazermos este exercício e sentirmos coisas, temos que perguntar: Isto é meu? Isto é do outro? Isto é carma?

Os índios americanos dizem que a diversidade fortalece o Espírito. O que fere e desgasta o Espírito é fazer picuinha.

É útil exercitar-se no despertar no outro com quadros, antes de fazê-lo com pessoas. Meus sentimentos também se revelam nestes exercícios.

Meu sofrimento, visto do mundo espiritual é um presente.

Quando olhamos alguém que é uma pedra no sapato, ele nos delata algo do nosso próprio sofrimento, que pensamos estar tão bem escondido. Daí vemos que nosso anjo recrutou esta pessoa a nos mostrar isto.

O objetivo do sofrimento é que cheguemos à compaixão (Buda), pois no sofrimento chegamos a um limite.

A doença pode ser vista como ignorância da verdade.

Pecar significa estar sem Deus, estar fora de Deus. É quando perdemos nossa conexão com o todo. Esotericamente Pai do Céu significa Natureza. Sua própria natureza te cura.

Na gravura todos procuram algo, Cristo faz a pergunta:Você acredita que possa ser curado? E então Cristo diz: Levanta de seu leito, caminha e não peques mais.

Sempre retratamos a nós mesmos e isto o artista sabe.

Fazendo isto tudo não precisamos de um currículo para a classe, somos o currículo e aprendemos muito com nossos alunos.

Seminário de Dennis Klocek de 25 a 28 de janeiro de 2010 realizado em São Paulo na Escola Waldorf Rudolf Steiner.

Estresse



Estresse é um problema químico. Quando as pessoas se sentem estressadas, um diminuto circuito na base do cérebro provoca a liberação de glucocorticóides, uma família de hormônios do estresse, que coloca o corpo em estado de alerta.

Essas moléculas têm esse nome por conta da sua capacidade de aumentar rapidamente os níveis de glicose no sangue, proporcionando músculos com uma explosão de energia. Elas também descontinuam todos os processos corporais não emergenciais, tais como digestão e a resposta imunológica.

“Isso é apenas o corpo sendo eficiente”, diz Dr. Robert Sapolsky, pesquisador da Universidade de Stanford, EUA. “Quando você está sendo perseguido por um leão, você não quer desperdiçar recursos no intestino delgado. Você vai ovular numa outra hora. Você precisa de cada gota de energia apenas para fugir”.

Mas os glucocorticóides têm um efeito colateral desagradável: Quando eles permanecem na corrente sangüínea, o dano é cumulativo. É a versão fisiológica de um governo dedicando recursos em demasia para seu Ministério da Defesa, diz Sapolsky. O corpo está tão preocupado com a guerra que não conserta as estradas nem investe nas escolas. Curiosamente, os efeitos do estresse parecem ser particularmente tóxicos para o cérebro.

Elizabeth Gould, uma neurocientista da Universidade de Princeton, EUA, é conhecida por demonstrar que o nascimento de novos neurônios – processo conhecido como neurogênese – ocorre no cérebro adulto. Durante os últimos anos, Gould tem estudado a relação entre neurogênese e o estresse em primatas. Ela descobriu que quando o estresse se torna crônico, os neurônios param de investir em si mesmos. O processo de neurogênese então diminui. Os dendritos encolhem. As árvores neurais definham.

Essas alterações celulares ajudam a explicar porque, como os pesquisadores observaram, “uma parte grande das mudanças na estrutura do cérebro e função (induzida pelo estresse crônico) têm características semelhantes àquelas observadas em doenças neurodegenerativas, principalmente doença de Alzheimer.” E quanto maior o nível de hormônio do estresse, maior o nível de declínio cognitivo.

Um dos mais inquietantes aspectos desses efeitos do estresse é a forma como eles são transmitidos através das gerações, de pai para filho. Gould demonstrou, por exemplo, que se uma macaca rhesus grávida é forçada a enfrentar situações de estresse, como por exemplo ser assustada por uma buzina estridente, suas crias nascem com redução na neurogênese, mesmo que elas jamais experienciem esse tipo de stress após o nascimento.

Esse trauma pré-natal, assim como o trauma sofrido na infância, tem implicações ao longo da vida. Os filhotes de macacos estressadas durante a gravidez têm hipocampos menores, e sofrem de elevados níveis de hormônios de estresse e ansiedade.

Ou então vejamos os seres humanos: Um recente estudo descobriu que as pessoas agredidas por seus pais durante a infância mostraram alterações epigenéticas no ADN, algo que alterou os seus genes como foram lidos. As alterações mais proeminentes envolveram genes que codificam receptores para os glucocorticóides, o que levou a uma ampliada resposta ao estresse. O abuso pode ser temporário, mas o dano é permanente, uma ferida que jamais cicatriza.

Mas nem todo ataque de stress é tão devastador. Experimentos mostram que exercício intenso pode levar à liberação de glucocorticóides. E vejam que o exercício físico ainda é confiavelmente associado a todos os tipos de efeitos positivos para a saúde.

Essas anomalias levaram alguns cientistas, incluindo Gould, a procurar as moléculas adicionais no cérebro que possam servir de “amortecedores” à resposta ao estresse. A lista de candidatos de Gould foca nos neuromoduladores, como a dopamina e a oxitocina, que são liberadas quando sentimos prazer. Ela argumenta que esses sentimentos de prazer – a capacidade de encontrar sentido no nosso trabalho, mesmo que seja estressante – podem neutralizar os efeitos tóxicos de glucocorticóides.

Essas moléculas podem também explicar porque todos os zeladores não morrem de doença cardíaca quando ainda jovens, e porque as agradáveis formas de exercício nos fazem bem. “Existem importantes diferenças individuais quanto a como as pessoas reagem ao estresse”, diz Gould.

Jonah Lehrer

revista Wired 10/8/10

O Temperamento Melancólico



O indivíduo com a predominância deste temperamento vive constantemente em luta com duas faces da sua natureza :

seu desejo de se sacrificar e seu impulso egoísta de não se envolver ;

ele deseja sofrer pelos outros porque sua natureza exige que faça algo por aquele por quem simpatiza .

O melancólico sente o peso da substância sólida do próprio corpo, o peso terrestre, porque não consegue penetrá-lo suficientemente e dominá-lo com sua alma, ou mesmo sua individualidade.

Ele sofre com intensidade a gravidade e isso o leva ao mal estar e à depressão, a experimentar dores mesmo em estado de saúde.

Por ser a matéria do seu corpo mais difícil de ser penetrada pelo seu ser, os gregos falavam da predominância do elemento terra, ou seja, toda a massa sólida visível. Ele também aparenta ser pesado, ainda que não o seja corporalmente, por causa de seu humor sombrio e dos ossos acentuados. Tem-se a impressão de tudo ser puxado para baixo – a cabeça, o nariz, a boca, o tronco, todo o corpo ;

sua postura denota uma falta de força de se manter ereto.

O rosto tem a impressão de dor como se fosse começar a chorar a qualquer momento. Ele também tem muita pena de si mesmo.

Seus gestos e movimentos mostram uma certa resignação, a boca especialmente expressa amargura ,e os olhos sofrimento.

Sua natureza é introvertida, tímida, com tendência à introspecção, à reflexão. Seu olhar, de luz opaca e sem brilho, é pouco interessado pelo mundo porque observa-se a si mesmo. Possui uma inabilidade em apreciar o mundo exterior e demonstrar gratidão. É somente capaz de ver o lado escuro da vida e tão envolvido por seus pensamentos sombrios, tão perdido em detalhes, que não lhe é possível perceber que pode estar errado. Seu desejo por piedade e compreensão é seu jeito peculiar de demonstrar seu egoísmo.

Ele continua a se sentir infeliz mesmo quando as causas do problema desapareceram. Especialmente no 1o estágio do seu temperamento, sente que tudo é triste e nebuloso e se coloca no centro de seu pequeno mundo, esperando piedade. Ele também espera compreensão dos outros, ainda que ele mesmo nada tenha para dar. No 2o estágio, ele ondula entre egoísmo e auto-comiseração . Ele preferiria ser altruísta, mas não tem força suficiente para manter tal atitude, e então recai no seu velho estado egoísta. Vive então em contínua oscilação, sempre beirando uma crise, e é somente no 3o e último estado que é capaz de ver que sua maior satisfação é servir os outros. Quanto mais ele age com base nesta convicção, mais enriquecido se sente neste momento de sua vida.

O melancólico raramente faz esforço para entrar em contato com pessoas e possui um desejo inconsciente de auto tortura que pode se expressar na direção do outro – ele pode se tornar um tirano se autorizado a levar vantagem sobre os outros. A situação piora se alguém o evita, pois ele recairá no 1o estágio se ninguém ajudá-lo a sair disso.

Sua expectativa por compreensão é um desejo inconsciente para se libertar de seu egoísmo, de seu ego, e encontrar seu outro lado, seu ser espiritual, seu Eu, e isso raramente pode ser realizado sem a ajuda do outro. Ele busca compreensão porque está aprisionado em sua própria parede invisível. Espera por alguém que possa entendê-lo, alguém desejoso de ouvi-lo atentamente para poder dividir esse peso, essa densidade espiritual, sem que alguém espere dele o mesmo.

Quando vencido pelo elemento terra, quando retém de forma inconsciente as substâncias no seu interior, o portador deste temperamento pode adoecer de verdadeira melancolia.

A partir do momento que sentir que alguém quer realmente compreendê-lo, ele abrirá seu coração e transbordará em simpatia e confiança. E quando, através do afeto e da firmeza, um melancólico sente simpatia pelo outro, ele cessa de ser um egoísta.

Na criança melancólica predomina precocemente o Eu.

Cedo demais a criança torna-se consciente. Isso afeta o metabolismo. Tomam lugar fortes sedimentações de sais, de tal maneira que ela se sente com o corpo pesado.

Para os adultos é uma criança esquisita, geralmente triste e mal humorada ; se ofende com facilidade e é demasiadamente consciente para sua idade, parecendo um adulto pequeno.

É capaz de registrar na memória todas as injustiças e castigos de que foi vítima. Gosta de estórias longas e tristes. Possui uma imensa capacidade de observação de si mesma – afasta de si tentativas para divertir-se porque, no fundo, não lhe desagrada ser triste.

Procura recantos escuros e silenciosos para se esconder, acocora-se sob o sofá ou dentro do armário, trepa na árvore e senta-se quieta num galho onde a folhagem a encobre ; pensa muito e tem um rico mundo imaginativo, meio estranho e avesso às pessoas.

São crianças que, em geral, não possuem muito apetite e tem aversão por alimentos carnívoros, principalmente se a aparência é visível. São esguias e magras e necessitam de um cardápio misto, com uma alimentação facilmente digerível. Gostam de doces, se cansam facilmente e têm fortes dores de cabeça. Assustam-se com água fria e gostam de calor. São emocional e fisicamente crianças delicadas.

Calor externo e interno é vital para dissolver a dureza e as cristalizações desse tipo de criança. Os adultos devem cercá-la da muito alimento anímico/espiritual, compreensão. Não devem ter receio de fazer com que participe de suas próprias preocupações e sofrimentos na medida de sua capacidade infantil, pois dessa forma se harmoniza sua melancolia infantil : colocando-a em contato com o sofrimento alheio. Ela terá prazer em sentir que alivia o sofrimento de outrem através de pequenos serviços, como enfermeiro, por ex.

Levá-la a ambientes alegres só a endureceria em sua melancolia e deixá-la viver a dor justificada é uma boa medida terapêutica.