Importante!

Este blog não tem propósito de indicar tratamentos para substituir cuidados médicos e medicamentos.Em caso de doença procure um médico e faça o tratamento corretamente.As dicas aqui descritas servem como terapia complementar e preventiva.




terça-feira, 13 de setembro de 2011

A triste realidade dos ganhos secundários

Poder cooperar ou ajudar as pessoas é gratificante. Mas há formas e diferentes maneiras para ajudar ou cooperar. Muitas vezes, por despreparo, inexperiência e ingenuidade, acabamos caindo em armadilhas e tudo pode tornar-se complicado e muito complexo. Há estranhas manobras de sobrevivências, mais do que imaginamos e que nossa vã filosofia desconhece! Muitas vezes fazem-se conluios devastadores e sabotadores comprometendo a vida de muitas outras pessoas.
Os conchavos vão sendo construídos e vamos ficando dentro deles e nunca mais saímos. Muitas vezes você pensa que está ajudando, mas as coisas vão se complicando. Quando uma pessoa encontra-se deprimida, naturalmente fica muito carente, resistência imunológica baixa e suscetibilidade em contrair uma infinidade de doenças, baixo auto-estima, desmotivaçao, isolamento, emagrecimento por falta de apetite ou obesidade, enfim, muda toda uma dinâmica de vida.
O que acontece é que essas pessoas passam a receber de outras, um tratamento diferenciado de afeto, que muitas vezes nunca conheceu ou recebeu de ninguém. Passam então, a ter mais acolhimento, atenção, diálogo e carinho. É muito importante mesmo essa atenção redobrada, pois a depressão é um quadro muito complicado de se ver, principalmente se não houver um tratamento. É necessário um cuidado especial dos familiares, também psiquiátrico e até mesmo psicoterápico.
Mas existe uma história paralela, chamada ganho secundário em permanecer doente. Acaba sendo até interessante permanecer deprimido, pois assim as pessoas ficarão às voltas, ou seja, bem pertinho. Recebe carinho, atenção, comida, muitas vezes até na boca, flores, visitas, telefonemas de pessoas manifestando preocupação, que chega até estranhar!Percebendo essa dinâmica que vai se processando no dia a dia, começa a pensar nas compensações.
Desperta então, pelo ganho secundário que passa a ter em ficar adoecida. Acredita que é compensador ficar nesse quadro psicopatológico.
Vai ficando com vontade de não ficar curada. A cura significa perder toda essas compensações, esses ganhos, esse carinho e atenção. É necessário ter um olhar sobre a pessoa que é acometida por uma infinidade de enfermidades, doenças psicopatológicas diversas, mas é importante também entender como podemos ajudar essas pessoas sem ter um comprometimento que envolve dependências. É preciso amar sempre. E como se não houvesse o amanhã, como disse Renato Russo, da Banda Legião Urbana. Outro caso muito importante são com relação às crianças. Elas são propicias a desenvolverem com mais facilidades as doenças psicossomáticas como, por exemplo: amidalite, otites, renite, febres sem causa aparente, dermatites etc., pois não expressam e não verbalizam seu sofrimento, carência e problemas.
Muitas vezes querem a mãe por perto, mas não falam. Aprenderam que se adoecerem, automaticamente toda a casa ficará envolvida. A mãe não vai trabalhar naquele dia, a avó faz bolo, o pai traz um presente, etc. Isso passa ser rotineiro, quando está sentindo solidão e os ganhos secundários em adoecer são compensatórios. O ideal é que as crianças não precisassem usar desses atributos e manobras para receberem afeto, carinho e atenção.
Há casos de mães que não investem em si e a única forma de sobreviver, ter libido ou energia de vida é ajudar ou cuidar do filho ou da filha com comprometimento, seja fisiológico ou psicológico. Então se percebe que a filha esta construindo uma própria identidade e autonomia em um processo psicoterápico, e está se recuperando, evoluindo e fortalecendo, ela não agüenta e tira do tratamento. E passa a pensar em: o que vou fazer da minha vida se ela melhorar?O benefício da pessoa em ficar curada traz um grande malefício a esta, que está o dia inteiro voltado a esse filho ou filha. O pior é que toda essa dinâmica dos ganhos secundários ficam muito ofuscado e sem visibilidade, sendo até inconsciente. Esses ganhos secundários podem aparecer também, é muito comum, em uma relação conjugal, ou seja, em um casamento mal sucedido. O conluio com o filho comprometido é compensador para manter o casamento de faz de conta. Se o filho sarar, o casamento poderá acabar. Então vão sucedendo uma relação tantalizante de um vai e vem de melhoras e pioras, que vão facilitando a não separação. É muito difícil quando se dá essa dinâmica. É um sofrimento em todo o contexto que todo o lar acaba adoecendo.
Finalizando, é importante que haja sempre que for oportuna, uma reflexão, mesmo que seja para buscar ajuda profissional. A realidade é que não dá para fazer de um problema, outro problema. É necessário não carregar os grãos de areia de um passado e sim reinventar ou re-significar novos valores de um presente objetivando um melhor futuro e com qualidade de vida para todos.



Por Angelica Bongiovane

Nenhum comentário:

Postar um comentário