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Este blog não tem propósito de indicar tratamentos para substituir cuidados médicos e medicamentos.Em caso de doença procure um médico e faça o tratamento corretamente.As dicas aqui descritas servem como terapia complementar e preventiva.




terça-feira, 17 de julho de 2012

Vítimas das enchentes precisam de um pouco mais




O que a tragédia deixou para trás, além de escombros e poeira, pode estar dentro das pessoas.
A tragédia das enchentes nas cidades fluminenses e, depois, nas mineiras e catarinenses, causou prejuízos monumentais; humanos e econômico-sociais.
Entretanto, de um jeito ou de outro, as perdas materiais vão sendo repostas total ou parcialmente. Prefeituras, Estados, União, entidades, voluntários, empresas e doadores anônimos estão agindo nesse sentido.
A todo momento, somos informados de que falta água ou sobram roupas; de que agora é hora de mandar máscaras ou que não se tem mais onde por alimentos.
Mas....... será que não vai faltar mais nada a quem perdeu entes queridos, sua vida dentro das casas desabadas, sonhos, esperanças ? E quem viu gente morrendo, viveu o pânico de talvez sua casa desaparecer e ainda vai passar meses de apuros e transtornos até ter a sua vida normalizada?
Como psicólogo, estou extremamente preocupado com algo muito pouco falado neste momento pós tragédia; porém de um efeito avassalador: o Stress Pós Traumático.
Essa doença, comum após tragédias, consiste num tipo de "recordação" inevitável que, em alguns casos, é definida como revivescência, pois é muito mais forte que uma simples recordação.
Na revivescência, além de recordar as cenas, imagens e sons, o paciente sente como se estivesse vivendo novamente a tragédia - com todo o sofrimento, dores e angústias que ela causou originalmente.
Algumas pessoas podem ter os sintomas pós-traumáticos imediatamente após o ocorrido e, outras, depois de dias, semanas e até meses.
Os sintomas mais recorrentes são: tensão no corpo; mal-estar em situações que lembram o trauma; sentimentos depressivos; frequentes mudanças de humor; dificuldades para conciliar ou manter o sono; sobressaltos com ruídos ou movimentos imprevistos; alta irritabilidade; tendência ao isolamento em relação aos demais; pesadelos sobre o acidente ou suas conseqüências; sentimentos de culpa e até de auto-acusação.
Mais ainda: depois de experiências traumáticas, pode ocorrer uma transformação duradoura na personalidade dos envolvidos. Essa alteração não só produz mal-estar, como repercute negativamente nas esferas familiar, social ou profissional.
Cerca de 15% dos pacientes com Stress Pós Traumático não conseguem superar rapidamente esse transtorno e alguns apresentam um quadro mais intenso de ansiedade e depressão - mesmo após anos do ocorrido.
É extremamente importante que as pessoas que passaram algum tipo de stress ficarem atentas ao início dos sintomas. Quanto mais cedo ocorrer o tratamento (psicológico e intervenção medicamentosa) mais rapidamente o paciente pode superar o problema.
São bem vindos os programas para a construção de casas, reposição de móveis, liberação de FGTS, ajuda a empresários e outras providências remediantes.
Porém, não adianta reestruturar a parte material, se as pessoas não tiverem motivação e estrutura emocional para voltar a lutar e a viver normalmente.
Está faltando uma triagem psicológica com toda a população afetada, para a avaliação do estado de cada indivíduo e encaminhamento ao tratamento adequado.
Além disso, as pessoas que estão à volta dessas maiores vítimas, têm de ser orientadas sobre como tratá-las, compreendê-las e lidar com elas com uma atenção maior, paciência e gentileza; animando-as e despertando nelas a vontade de prosseguir.
Em locais muito atingidos, onde centenas de vítimas convivem juntas, deve haver o preparo de autoridades, agentes sociais, membros da defesa civil e outros atores, nesse sentido.
Afinal, o visível pode ser reposto com o tempo mas, o que de oculto há no mais profundo da alma, requer maior cuidado e pode demorar muito mais.


Autor: Alessandro Viana

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